A arte contemporânea ganhou casa nova em Porto Alegre. Desde o início desta semana, a Bienal do Mercosul, que ocorre a cada dois anos no Rio Grande do Sul, tem um espaço de luxo no Instituto Caldeira, no 4º Distrito.
São dois salões no térreo do Prédio Guahyba, antiga fábrica de tecidos que vem sendo transformada em polo de inovação e educação na Capital.
A estrutura impressiona: tem pegada industrial e arquitetura moderna. Lembra as mais descoladas galerias de arte de Nova York, só que aqui, no nosso quintal.
— A intenção é deixar a Bienal mais viva, mais presente. A parceria com o Caldeira vem sendo construída há anos e estamos muito felizes com esse desfecho. Eles tinham a ideia de fazer um centro cultural, e a gente queria um espaço assim. Juntamos a fome com a vontade de comer — diz Maria Fernanda de Lima Santin, copresidente da Fundação Bienal do Mercosul ao lado de Márcio Carvalho.
A dupla — que assumiu a função no fim de 2025 e dá continuidade à gestão de Carmen Ferrão — quer deixar uma marca, e já está conseguindo.
Para o futuro, a ideia é transformar o novo espaço no pavilhão oficial da Bienal no RS, a exemplo do que já existe em São Paulo, inclusive com a sede administrativa instalada no local (hoje, ela fica no Centro Histórico).
Há, também, a previsão de fundar uma grande biblioteca de arte ali, com acesso gratuito. Na entrada, já foi montada uma prateleira gigante (cobrindo toda a parede de tijolos à vista) com livros do acervo da Fundação Bienal. Detalhe: a entidade tem cerca de 5 mil obras, incluindo algumas raridades.
— É um mundo que se abre daqui para frente. Nossa Bienal nunca teve um pavilhão próprio. Sempre ocupou espaços. Muita gente diz, inclusive, que é como um disco voador que, a cada dois anos, baixa aqui trazendo novidades. Queremos mudar isso e estar mais próximos — projeta Carvalho.
Salas de exposição

Para a semana de inauguração, foram preparadas duas mostras.
Um dos salões exibe cartazes dos 30 anos de Bienal no RS. O outro, apresenta uma experiência imersiva, com imagens em vídeo do evento em diferentes edições.
Depois disso, a intenção é ocupar as áreas com novas mostras e instalações, inclusive em parceria com instituições de arte do Mercosul — um ganho tremendo para Porto Alegre.
Sem catracas
Curiosidade: no Prédio Guahyba, não há catatracas. Ou seja, qualquer pessoa pode entrar lá para conhecer as novas instalações.
— Temos 2 mil pessoas vindo trabalhar e estudar aqui diariamente. Estamos colocando arte no caminho delas, mas queremos mais do que isso: queremos abrir o local para quem quiser chegar e conhecer — destaca Felipe Amaral, diretor do Campus Caldeira.
Pedro Valério, CEO do Instituto Caldeira, resume o espírito por trás da novidade:
— Muita gente acha que inovação é apenas tecnologia. Na verdade, vai muito além disso. Não existe distrito de inovação sem cultura e sem gente.





