
Placas de "soft open" foram retiradas da fachada da terceira loja da Banca do Holandês fora do Mercado Público. O ato que ocorreu nessa terça-feira (10) marcou a inauguração do novo endereço da querida banca criada no coração de Porto Alegre em 1919.
— O período de soft open serve para ajustar a operação, corrigir eventuais erros e abrir a loja 100%, como o cliente merece — afirma o sócio Sérgio Lourenço, que tem como parceiros de negócio a esposa Adriana e os filhos Lourenço e Renata.
Após a expansão nos últimos cinco anos com unidades nos bairros Bela Vista e Higienópolis, chegou a vez do Passo d'Areia ganhar uma loja da Banca do Holandês. A nova operação ocupa o térreo de um empreendimento da construtora CFL na esquina entre as avenidas Nilo Peçanha e João Wallig, em frente ao Shopping Iguatemi.
Após meses de negociação, o contrato foi assinado no começo do ano passado. O complexo construído junto ao Country Club recebeu torres com apartamentos, salas comerciais e um hotel. A área ocupada pela Banca do Holandês tem 450 metros quadrados, tornando esta a maior loja da marca. Com esse tamanho, todos os 9,8 mil produtos que a empresa vende estão expostos no local.
Parque de diversões com "conceito europeu"
Com projeto arquitetônico do escritório Dino Damiani Arquitetura, o laranja se destaca na nova loja, colorindo paredes e teto. Foram investidos R$ 3 milhões na obra e equipamentos, contando um balcão com mais de três metros de cumprimento, feito sob medida para a marca.
— A grande sacada desse balcão é a altura. Como é mais baixo, a gente fica olho no olho com o cliente. Isso nos diferencia de outros lugares. Conseguimos fazer um atendimento mais personalizado — conta o funcionário Alex Rondom, que trabalha há 22 anos na Banca do Holandês.

No ano passado, Sérgio e a esposa, Adriana, viajaram à Europa, onde foram visitar uma feira, mas também aproveitaram para conhecer sete mercados públicos europeus. Na mala, trouxeram ideias.
— Falo para meus filhos que eles têm que viajar. É de lá que vêm as ideias. Buscamos conceitos europeus. Lá, o self-service praticamente não existe. Implementamos ideias de produtos, de visual e de atendimento, que é uma coisa que prezamos muito — conta Sérgio.
— Com esta loja, queremos atender um público que já é nosso cliente, mas que hoje precisa se deslocar para nossas outras unidades. Não dá para pegar o que tem em uma loja e replicar nesta nova. Cada operação tem a sua característica — completa o filho Lourenço.
A operação tem adega com mais de 2 mil rótulos de vinhos e espumantes à venda — de R$ 29 a R$ 8,6 mil. Outro destaque está na venda de queijos, com mais de 300 marcas expostas.
— É um parque de diversões para quem gosta de comer bem — diz a filha Renata.
A novidade do espaço é uma padaria e cafeteria, onde os clientes podem consumir os produtos vendidos na prateleiras. Existe, ainda, um projeto em andamento para construir uma varanda no lado de fora da loja.
— O que vamos tentar trazer aqui é experiência. Tu poder pegar todos os produtos no balcão. O cliente poderá sentar aqui e já experimentar — diz Sérgio.
— Se um cliente falar que algo é "mais ou menos", tiramos da prateleira — completa o empreendedor.
Mais de 70% do que a Banca do Holandês vende é importado. O restante vem de marcas nacionais, dando prioridade para a produção local — incluindo produtos de parceiros de Mercado Público, como o Café do Mercado.
Passando o bastão
Sempre que pode, Sérgio credita o crescimento da Banca do Holandês aos filhos, Renata e Lourenço.
— Essa loja nova foi coisa dos meus filhos. Se vai vender, eu não sei. Mas que vai aparecer, vai. Está chegando a hora de passar o bastão — brinca Sérgio.
Renata, que vai "receber o bastão", responde a provocação do pai:
— Tem aquele frio na barriga, mas é algo natural. Isso sempre parte da nossa criação. Obviamente, vamos nos aperfeiçoando e trazendo novidades — conta.
Apesar da expansão acelerada nos últimos anos, a Banca do Holandês tem recusado muitos convites para abrir lojas em outras cidades. Eles vêm do interior do Estado, do Litoral e até de fora do Rio Grande do Sul. O foco, pelo menos por enquanto, é em melhorar as lojas que já existem.
— Só fomos abrir uma loja fora do Mercado Público após 100 anos. Nos últimos quatro anos, nossa equipe cresceu 300%. Só conseguimos fazer essa expansão com rapidez porque tivemos todo esse tempo para aprender sobre os produtos e como atender o cliente — diz Lourenço.

Em 2025, a primeira loja da Banca do Holandês no Mercado Público passou por uma reforma geral. Com novos equipamentos, os 35 metros quadrados foram melhor aproveitados, e a impressão que dá é de que a loja está maior do que antes, dizem frequentadores do Mercado Público. A próxima unidade a passar por uma intervenção parecida é a Adega do Holandês, localizada na banca 38.
Além dos produtos importados daqui ou de fora do país, a Banca do Holandês tem apostado em produtos de marca própria, fabricados em seu centro de distribuição no 4º Distrito. No local, são feitos quiches, pastas, pães, entre outros.
Com a abertura da nova loja na Zona Norte, a empresa passou de 120 para mais 170 funcionários na equipe.





