
Em 2026, completam-se 20 anos desde que três estátuas portuguesas que ficavam onde hoje é o Museu do Doce, em Pelotas, sumiram. Junto de uma medalha imperial do Museu Julio de Castilhos, em Porto Alegre, elas integram o acervo de itens tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) que estão desaparecidos no Estado.
As informações constam na plataforma digital do Banco de Bens Culturais Procurados (BCP) que registra 1.857 sumiços no país. São quadros, esculturas, artes sacras, fotografias e outros objetos roubados ou que se perderam. Até hoje, apenas 109 foram recuperados.
Qualquer pessoa pode acessar o sistema e enviar informações para auxiliar nas buscas. O objetivo é contribuir para prevenção e o combate ao tráfico ilícito de bens culturais.
As três estátuas de Pelotas

Desaparecidas no final de 2006, as estátuas ficavam onde hoje funciona o Museu do Doce. De origem portuguesa, eram feitas de faiança, uma técnica que reveste a estrutura cerâmica com esmalte brilhoso e um efeito de mármore.
As obras integravam o conjunto arquitetônico do casarão 8, na Praça Coronel Pedro Osório, tombado desde 1977. Mediam aproximadamente 1m30cm de altura, com uma base retangular de 43 centímetros.
A residência foi projetada pelo italiano José Isella e construída em 1878 para abrigar a família de Francisco Antunes Maciel, conselheiro do Império. Em 2006, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) adquiriu o imóvel, restaurou-o e hoje administra o museu.
A coluna procurou a Polícia Federal, que investigou o caso à época, mas a PF não quis comentar uma investigação antiga.

Cada imagem tinha um simbolismo diferente. Uma delas representava o Verão, e outras duas representavam as Américas do Norte e do Sul. O restaurador Fabio Galli, que integrou a equipe de recuperação, conta que essa é uma iconografia recorrente na cidade. Ele acredita que elas tenham sido surrupiadas para engordar o bolso dos criminosos.
Medalha do Museu Julio de Castilhos

O mistério do quarto item na lista é mais antigo. Segundo a diretora do Museu Julio de Castilhos, da Capital, Doris Couto, o sumiço foi notado em 1995, quando a equipe organizava uma exposição. Os responsáveis pela instituição registraram um boletim de ocorrência no dia 17 de agosto daquele ano.
É uma medalha da Ordem Imperial da Rosa, doada ao acervo do Museu em 1946. No arquivo, consta que o item pertenceu ao tenente-coronel Antônio Júlio Mallet. O militar era filho do marechal Emílio Luiz Mallet, o Barão de Itapevi, patrono da Arma de Artilharia do Exército.
A descrição informa que ela é feita em metal dourado e com esmalte nas cores branco, rosa, verde e azul-ferrete, com 6,6 centímetros de diâmetro. No centro, há um dístico com o monograma "AP" de cabeça para baixo e em volta uma faixa com a frase "Amor e Fidelidade".
Segundo os registros, a medalha integrava a reserva técnica da instituição e ficava armazenada no caminho para os banheiros. Ou seja, alta circulação de pessoas e possível baixa segurança dos itens.
Doris aponta que recuperar peças como essa é um desafio. Principalmente pelos registros e descrições insuficientes, que não dão conta de caracterizá-los. Além disso, faltam esclarecimentos sobre a importância e a proteção do patrimônio tombado.
Nos últimos anos, o Museu fez uma campanha com antiquários da região para coibir crimes como receptação.
O alerta segue válido: se você encontrar uma peça com um número inscrito, não compre, venda ou pegue. Essa peça pode ser tombada e pertencer a um acervo de registro histórico.
*Sob supervisão da jornalista Juliana Bublitz



