O jornalista Carlos Redel colabora com a colunista Juliana Bublitz, titular deste espaço.

Em julho de 2026, completa-se 120 anos de nascimento de Mario Quintana (1906-1994). E, é claro, as homenagens serão diversas. Uma delas será uma obra de arte que ficará justamente no emblemático espaço que leva o nome do poeta alegretense.
O Jardim Lutzenberger, localizado no quinto andar da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), receberá uma intervenção artística assinada por Claudio Ramires. O trabalho, que será instalado na empena do Centro Comercial Rua da Praia, poderá ser visto do jardim e consiste em um mural cinético, com imagens que não são estáticas.
— A obra propõe o que o próprio Quintana definia como um aprofundamento da visão da realidade. Ele tratava a poesia dessa maneira. O trabalho terá dois níveis desse aprofundamento, que será através da interatividade efetiva. Por ser uma pintura cinética, exige o movimento físico do visitante. Ela, então, se transforma diante dos olhos. E há uma camada de interatividade virtual, que eu batizo de "poesia aumentada" — explica Claudio.
A obra, que o artista classifica como um "projeto de grande fôlego", revelará símbolos do universo de Quintana, em um mural de 4 metros por 3,3 metros. Para isso, o projeto vem sendo desenvolvido desde meados do ano passado, com o responsável pelo trabalho ficando vários dias dentro do Jardim Lutzenberger e, também, percorrendo os caminhos do poeta por Porto Alegre.
— Fiz este estudo de situação para que a obra surgisse organicamente. E homenagear o Quintana é algo que, além da grandeza contida em si mesmo, para mim, também é pessoal. Eu costumava encontrar o poeta com muita frequência Praça da Alfândega, quando eu ia no Margs e na Livraria do Globo, na minha adolescência. Então, trazer essa memória para o Jardim Lutzenberger é um fechamento de ciclo — conta o artista.
Desta forma, Ramires pretende unir os universos da pintura e da interatividade virtual, em um hibridismo de linguagens que usa a tecnologia como ponte para a sensibilidade. Para o artista, a obra é um convite à contemplação, como uma experiência viva de descoberta e percepção. A previsão é que a entrega ocorra em junho — os 120 anos do nascimento de Quintana serão completados em 30 de julho.
Vale ressaltar que Claudio Ramires é um artista visual cuja prática une o rigor da pintura clássica às novas linguagens tecnológicas. Com sólida trajetória internacional, realizou projetos e exposições em centros como Hamburgo, Andorra e Paris — nesta última cidade, o trabalho foi na sede da Unesco. Não é pouca coisa.
Já o Jardim Lutzenberger está fechado para reforma desde 19 de janeiro. A obra inclui, principalmente, serviços hidráulicos e de impermeabilização do espaço, além da instalação de um guarda-corpo com acessibilidade. A previsão é de que o espaço seja reaberto ao público ainda neste semestre.

