A atriz gaúcha Sheron Menezzes, musa da Portela, comemorou 15 anos de escola sambando na avenida e celebrando a terra natal, com um figurino cheio de simbolismo.
Assinada pelo carnavalesco André Rodrigues, a fantasia foi batizada de Pele Oculta.
A ideia, segundo a descrição apresentada pela Portela à organização do evento, revela “a contradição fundadora da história gaúcha, uma terra que se construiu negra, mas aprendeu a se imaginar branca”.
— O enredo fala sobre mim, sobre a minha ancestralidade, sobre os pretos gaúchos. Minha avó era mãe de santo, eu cresci em terreiro. Hoje sou só alegria e brilho. Estou muito feliz —disse a artista, com “borogodó” e muito samba no pé.
A Portal jogou luzes sobre o Rio Grande negro. O foco do desfile foi a história de Custódio Joaquim de Almeida, o Príncipe Custódio, que veio da África e chegou à capital gaúcha no início do século 20, onde se tornou figura de proeminente, de grande influência religiosa e política.
Babalorixá e líder espiritual, conquistou as elites e o respeito de homens como Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros, que buscavam seus conselhos. Apaixonou-se por esta terra e decidiu construir a vida aqui.
Mas o desfile da agremiação de Madureira foi muito além do personagem: mostrou que o pampa, em sua essência, também é terra negra.



