
No programa Paralelas desta semana, o papo foi sobre a bebida símbolo do Rio Grande do Sul: o chimarrão.
Para falar sobre o tema, convidei o sommelier de erva-mate Rafael Becker.
Formado na Argentina e morador de Porto Alegre, ele é especialista no tema e dono da erva-mate Milonga. Falamos sobre a história da bebida, sobre curiosidades envolvendo o assunto e muito mais.
O Paralelas tem novos episódios toda sexta-feira ao meio-dia no YouTube de GZH e no Spotify.
Veja a íntegra
O que faz um sommelier de erva-mate?
Auxilia tanto quem produz, quanto quem planta. Por exemplo: plantar na sombra ou no sol dá diferença em termos de proteína, de cafeína, coisas que as pessoas às vezes não têm conhecimento. O sommelier também atua junto ao consumidor final, em lojas, dando palestras, promovendo degustações. Vamos fazer a primeira degustação aqui em Porto Alegre em março (leia mais no fim da entrevista). Quanto mais a gente souber sobre o mate, mais a gente vai poder usufruir dele. De repente, um consumidor mais jovem não quer consumir o mate dentro da cuia. Talvez ele queira tomar o mate em formato de matchá, um pozinho mais moído que ele pode botar numa xícara.
Dá pra tomar chimarrão sem ser na cuia?
Dá, de diversas formas. A gente tem até refrigerante, o hierba- mate, produzido aqui no Brasil. Tomei alguns na Argentina, e o nosso, daqui do RS, é melhor. É um refrigerante muito gostoso. Te trazer alguns benefícios do mate e não é muito doce.
Muitos gaúchos entendem que chimarrão tem que ser do jeito tradicional. O gaúcho que toma mate na cuia de inox, por exemplo, é taxado de “gourmet”. Qual é a tua opinião?
Não existe forma certa ou forma errada. Não é feio. Feio é não tomar mate (risos). Tem aquela pessoa que diz assim: “Ah, tem de tomar o mate raiz”, mas os guaranis inicialmente cortavam o porongo de um jeito diferente do nosso (veja a foto abaixo), colocavam folhas de erva e água fria e bebiam direto do recipiente. Depois é que surgiu esse formato em oito, como um vaso, com um pedacinho de taquara, que daria origem à bomba. Os europeus, com medo de pegar doenças, introduziram a prata e o ouro, que são sanitizantes naturais.

Tu esteves há pouco no Museu do Mate, em Buenos Aires. Vale a pena visitar?
Vale a pena, é legal, é divertido, imperdível. Primeiro, porque está no prédio do antigo Bazar Wright, um bazar inglês de 1879, muito famoso na cidade. Funcionou até 2012. Mantiveram o piso original e os armários e, desde outubro, o Museu do Mate está lá. Dá para conhecer muito sobre a história do mate. Tem a parte da visitação guiada, tem uma loja e tem a degustação.
Que deve ser a melhor parte...
Adorei. A gente foi três vezes ao museu. Minha esposa já não aguentava mais. Ela foi muito paciente comigo (risos). No primeiro dia, a gente fez a degustação. No segundo, fomos para fazer a visita guiada e no terceiro, para gravar conteúdo, com informações, novidades.
E doaste algum item para o museu? Qual foi?
Sim, uma “cuia getulinho”. Comprei o porongo na última Expointer e eu mesmo fiz a cuia. Entrei em contato com o museu e ofereci. Eles não aceitam qualquer doação, precisa ter história. Então, contei a ligação desta cuia com Getúlio Vargas (ele usava uma cuia nesse formato específico, de bojo largo e bocal estreito, que ganhou o nome “getulinho”). Eles adoraram. Está lá na prateleira.
Degustação de erva-mate
A degustação de erva-mate conduzida pelo sommelier Rafael Becker será no dia 1º de março, domingo, às 11h, na Casa Vasco (Rua Vasco da Gama, 207), bairro Bom Fim, em Porto Alegre.
A experiência sai por R$ 78. As vagas são limitadas. Inscrições pelo WhatsApp (51) 99261-1006.




