A história da amizade tardia entre um velho poeta e uma jovem e inexperiente fotógrafa porto-alegrense vai virar filme. O escritor em questão é Mario Quintana, a retratista é Liane Neves e o ano é 1985.
À época, Lica, como é conhecida, vibrou ao receber sua primeira grande missão profissional: fotografar Quintana para uma homenagem aos seus 80 anos (que seriam completos em 30 de julho de 1986). Tarefa ingrata.
Quem conheceu o escritor, sabe: ele detestava efemérides e, como era de se esperar, não quis saber de Liane e muito menos das fotos. Ela não desistiu.
De um jeito inesperado (não vou dar spoiler!), Lica ganhou a confiança do octogenário. Os dois acabaram ficando amigos, e ela mereceu um apelido carinhoso do homem que dominava as palavras como poucos.
— És minha sombra luminosa — dizia o autor.
Quarenta anos depois, o episódio ganhou as páginas de um livro —escrito pelo gaúcho Tomás Fleck —, se estendeu ao teatro e, em maio, terá cenas captadas em Porto Alegre, em meio às celebrações dos 120 anos de nascimento do autor.
Homenagem
Com roteiro e direção de Fleck, Minha Sombra Luminosa terá os atores Fernando Eiras no papel de Quintana e Klara Castanho na pele de Liane.
— Nunca imaginei que essa história fosse parar no cinema. É um projeto nacional, uma ficção baseada em fatos reais, com esse recorte temporal dos anos 1980. Estou muito feliz e sensibilizada, especialmente porque é uma forma de relembrar o nosso grande escritor e de, mais uma vez, homenageá-lo — diz Lica, que guarda com carinho uma foto ao lado do poeta, captada por Leonid Streliaev (veja acima).
O filme deve estrear em 2027.







