Depois de fazer 50 shows nos Estados Unidos e de levar o chamamé pela primeira vez à Library of Congress, em Washington, o acordeonista Alejandro Brites vai abrir a gaita em um baita evento: o Nativismo em Cena, que dará início à programação cultural dos 400 anos das Missões no RS, com entrada franca (leia os detalhes no fim do texto).
No próximo dia 24 de fevereiro, às 20h, ao lado da excelente Orquestra Barroca, regida por Fernando Cordella, Alejandro levará ao palco do Teatro Simões Lopes Neto, na Capital, o concerto (L)ESTE.
A obra é premiadíssima (venceu o Açorianos de Música 2022) e rodou a costa oeste norte-americana em 2024. Eu já vi. Vai por mim: é imperdível.
Será a largada do calendário do Instituto Estadual de Música (IEM) em 2026 e das Terças Missioneiras, iniciativa que promete destacar a sonoridade das Missões ao longo do ano.
Detalhe: a estreia será no mesmo mês em que, em 1756, ocorreu a morte do líder guarani Sepé Tiarajú e a Batalha de Caiboaté, último embate da resistência dos Sete Povos.
Iniciar o calendário Terças Missioneiras no mês de fevereiro, com Alejandro Brittes e orquestra, tem uma importância simbólica fundamental. É afirmar que o legado da experiência missioneira está vivo no chamamé e em cada um de nós
ADRIANA SPERANDIR
Diretora do IEM, da Casa de Cultura Mario Quintana e do Departamento de Artes e Economia Criativa da Secretaria de Estado da Cultura
O chamamé e as Missões
O chamamé representa uma macrorregião cultural que abrange a Argentina, o centro e o sul do Brasil, o Paraguai e o Uruguai.
Sua origem está ligada ao processo de formação histórica dos Trinta Povos Missioneiros, a partir do encontro entre a música, a dança e a cosmogonia (narrativa que explica a origem do universo) dos povos originários, unindo a cultura guarani e a música barroca ensinada pelos padres jesuítas.
Com o passar dos séculos e a chegada das imigrações europeias, o chamamé consolidou-se como um ritmo que identifica o povo gaúcho e a cultura latino-americana.
Sobre Alejandro Brittes

Compositor, acordeonista e pesquisador argentino radicado no Brasil, Alejandro Brittes é um dos maiores expoentes do Chamamé contemporâneo, reconhecido pelo The Boston Globe (EUA) como referência internacional do gênero.
Sua obra revela as origens profundas do chamamé, nascido do encontro entre a cosmovisão guarani e a música barroca das Missões Jesuíticas, presente em uma macrorregião cultural que une Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Com mais de 30 anos de trajetória, Brittes lançou álbuns inovadores como (L)ESTE, que une chamamé e música barroca, e o livro A Origem do Chamamé, resultado de extensa pesquisa antropológica. Suas turnês internacionais já o levaram a mais de 10 países, incluindo apresentações históricas na Library of Congress, nos Estados Unidos.
Serviço
- O quê: Nativismo em Cena com o concerto (L)ESTE, de Alejandro Brittes, e Orquestra Barroca
- Quando: 24 de fevereiro, 20h
- Onde: Teatro Simões Lopes Neto (Rua Riachuelo, 1089, Centro Histórico de Porto Alegre)
- Ingressos: entrada gratuita – reservas obrigatórias pela plataforma do Theatro São Pedro

