
A cada novo feminicídio, a mesma pergunta me atormenta, como mulher e como jornalista: o que acontece com os homens? Por que tanto ódio contra nós? O que leva à escalada de violência que parece avançar a cada dia, sem que nada aconteça?
Em mais uma brilhante reportagem, Letícia Mendes, de GZH, escancarou a cólera masculina em números acachapantes: nos últimos cinco anos, os feminicídios deixaram ao menos 701 órfãos de mãe no Rio Grande do Sul, 346 deles crianças e adolescentes.
Só em 2025, 80 mulheres morreram vítimas de assassinos insanos, em sua maioria maridos, ex-maridos, namorados. São homens que não aceitaram o fim da relação ou que, por algum motivo, acreditaram ser "donos" delas e de seus destinos.
Que mundo é esse?
Quando a gente descobre que o RS tem média de cinco estupros por dia, o que pensar?
A verdade é que a masculinidade vive uma crise sem precedentes.
As mulheres deixaram de aceitar humilhações, deixaram de baixar a cabeça para machistas estúpidos. Elas decidiram dizer "não" e sair do jugo de relacionamentos abusivos. Só que o "não" tem um preço.
Na derrocada da masculinidade tóxica, muitos homens (não todos, que fique claro) já não compreendem o seu lugar na sociedade. A resposta é a força, a morte, a destruição, mesmo que isso represente o fim da própria família.
Até quando, meu Deus? Até quando?


