
Nascido em Salvador, na Bahia de Todos os Santos, Wagner Maniçoba de Moura mereceu a conquista do Globo de Ouro, e não só pela atuação brilhante em O Agente Secreto.
De Abril Despedaçado (2001), seu primeiro grande filme, passando por Tropa de Elite (2007) e pela excelente série Narcos (2015-2017) até chegar ao filme dirigido por Kleber Mendonça Filho, Wagner percorreu um longo caminho, marcado por persistência e propósito.
Jamais se dobrou.
Por princípios, recusou convites lucrativos em Hollywood e chegou a ouvir de um agente que deveria ser "menos seletivo" na carreira internacional, se quisesse mesmo deslanchar. Wagner não deu ouvidos. Descartou a ideia de fazer papéis que reforçassem estereótipos latinos (especialmente depois de interpretar o narcotraficante Pablo Escobar).
Nunca cogitou a fama fácil, a visibilidade por mera vaidade e o "topa tudo por dinheiro". Fosse assim, teria trilhado outro caminho, talvez mais fácil.
É um homem que fala o que pensa (desagradando a direita, pelas posições políticas, e também a esquerda, como na ocasião em que criticou o PL do Streaming e cobrou o governo Lula sobre a regulação do setor).
Wagner atua em projetos com os quais se identifica e nos quais acredita. Projetos que têm algo a dizer, como O agente Secreto, vencedor do Globo de Ouro de melhor filme em língua não inglesa, que nos lembra, de forma sutil e inteligente, os horrores da ditadura civil-militar.
Curiosamente, ela jamais é mencionada na película. Não precisa, porque está tudo lá: o clima de paranoia, o medo, a vigilância implacável, o cerceamento às liberdades de expressão. Tudo isso, com um protagonista no auge da carreira, que merece o Oscar mais do que nunca.






