
Com um artista indígena à frente, a Unisinos deu a largada às ações que marcarão os 400 anos das Missões Jesuítico-Guarani no RS, em 2026.
Guarde este nome: Xadalu Tupã Jekupé, nascido na beira do rio Ibitapuitã, em Alegrete, é hoje um dos nomes mais influentes da arte indígena contemporânea no país.
Suas obras integram grandes acervos (em países como França e Espanha) e exposições (ele irá a Berlim em maio), trazendo uma visão diversa da cultura e da sociedade — diversa e necessária.
Revisão histórica
Com apoio da Unisinos, curadoria de Aldones Nino (pesquisador responsável pela fundamentação histórica, pelas leituras e pela análise editorial) e parceria de Isabelle Foliatti Ramalho (assistente de arte e pesquisadora), Xadalu lidera o projeto Tape (“caminho”, em guarani).
É uma pesquisa a partir de cartas e documentos jesuíticos do período missioneiro e da história oral e iconográfica desse povo indígena, que também parte da história e da identidade gaúchas.
— O convite veio da universidade, por um novo olhar, decolonial, sobre a narrativa do passado, de um povo que sofreu apagamento. Vamos trabalhar até maio e lançar uma exposição de arte e um mural com os resultados desses estudos — diz Xadalu, cujo atelier fica no 4º Distrito de Porto Alegre.
Ampla programação
Abraçada pelo reitor, padre Serigio Mariucci, secretário para Educação da Companhia de Jesus no Brasil e grande humanista, a iniciativa abre oficialmente a programação da Unisinos para os 400 anos, que se estenderá ao longo de 2026 com ampla programação acadêmica, cultural e científica.
As ações envolverão seminários, exposições, publicações, atividades de extensão, eventos artísticos e projetos de pesquisa interdisciplinares.
Revisitar o legado missioneiro sob novas perspectivas é o que de melhor pode acontecer na efeméride dos 400 anos das Missões. A Unisinos está de parabéns por liderar a reflexão.
Sobre Xadalu

Nascido em Alegrete, Xadalu Tupã Jekupé é um dos artistas indígenas brasileiros de maior projeção internacional. Sua produção explora temas como resistência e memória guarani, dialogando tanto com o legado do Barroco Missioneiro quanto com processos de apagamento cultural no pampa.
Seu trabalho abrange pintura, serigrafia, fotografia, instalação e muralismo.
O artista já participou de residências na França, Espanha, Itália e Chile, além de instituições como o Collegium (Arévalo) e o Humboldt Forum (Berlim). Suas obras integram acervos como o Museu Nacional de Belas Artes (RJ), o Museu de Arte Moderna de São Paulo, o Museu de Arte do Rio, o Museu das Culturas Indígenas, a Fundação Iberê Camargo, o Tesouro da França e o Collegium (Espanha).







