
Há duas décadas, é ele quem abre o maior festival de música do sul do Brasil. Neto Fagundes é a voz do Hino Riograndense na largada do Planeta Atlântida, que celebra 30 anos a partir de hoje na Saba, em Xangri-lá.
Sou fã deste grande nome da música e da arte gaúcha. Chamei o Neto para o Paralelas, meu programa no YouTube de GZH e no Spotify, e foi incrível.
Falamos sobre o Planeta e muito mais: quem é Neto quanto não está no palco, que tipo pai ele é, qual é o segredo para um “namoro” de já dura mais de 40 anos e até fiz o homem tirar o chapéu.
O Paralelas tem novos episódios toda sexta-feira ao meio-dia.
Veja na íntegra
A seguir, pincei alguns trechos da entrevista, mas vale muito assisti-la na íntegra aqui.
Como começou a experiência de abrir o Planeta Atlântida?
É a mesma história do Galpão. Fui para ficar um dia, um mês, dois meses. As coisas foram dando certo e fui ficando. Tudo começou com o Alexandre Fetter, quando ele chega à RBS.
Como foi?
Ele me convida para fazer a abertura, mas esquece de avisar o Claro Gilberto, que era o diretor do Planeta na época. E o Claro tranca o pé: “Que hino? Não vai ter hino”. E o Fetter: “Vai ter, sim”. Subi e desci a escada para o palco umas quatro, cinco vezes. “Cara, só me diz se vai ter ou não, se não eu vou só assistir, tá tranquilo”. Aí o Claro parou um pouco e disse: “Me dá cinco minutos que vai rolar”. Dali em diante, foi uma emoção.
Deve ser uma sensação incrível estar naquele palco, né?
Sim, porque a gente abre o Planeta no fim da tarde, é lindo. E a gente já abriu com muito sol, com muita chuva, ventania, com temporal. Já fiz com Armandinho, Fresno, Vitor Kley, sempre tem um envolvimento com o primeiro show. Cada momento é diferente. No início, era eu com o Paulinho (irmão de Neto), com a guitarra distorcida para dar uma pegada de rock no hino. Depois, chegou o Ernesto (o outro irmão), e hoje a abertura tem público fiel.
Ainda dá frio na barriga?
Sim, imagina o tamanho desse evento. Não dá para pensar muito. Penso como se eu estivesse entrando no palco do Galpão, no show dos Fagundes. E é sempre diferente, vai ser diferente neste ano, porque são 30 anos do Planeta, uma marca muito forte para a nossa casa, para todos da RBS. Eu me sinto muito honrado e feliz por fazer parte dessa história.
Como foi a parceria com a Luísa Sonza no Planeta 2024?
A gente estava nos bastidores, aí a Cristina, minha mulher, disse assim: “Tu sabe que a Luísa Souza canta o Canto Alegretense? Tu conhece ela? Vamos lá dar um abraço?” Eu só conhecia o César, pai da Luísa. Aí de repente veio uma mensagem deles, e a gente foi lá. Quando entrei no camarim, ela abriu os braços: “Neto, temos de fazer o Canto Alegretense juntos!” E eu pensando: “Meu Deus, vai rolar isso mesmo, com toda aquela massa”. Ela foi muito carinhosa, e a gente fez aquilo com muito afeto pela música.

Falando em afeto, tu tens um casamento de mais de 40 anos, né?
A gente se conheceu na Califórnia (da Canção Nativa, em Uruguaiana) de 1983. Fui com o Borghetti acompanhar o César Passarinho na música Guri (sagrada vencedora do concurso). Isso foi quando o Grêmio virou campeão do mundo. Aí começou aquela brincadeira, todo mundo tocando flauta, e nós dois (Neto e Cristina Cardoso, que também estava no festival e se juntou ao grupo), éramos os únicos colorados. Ficamos juntos para sofrer juntos (risos). A gente até hoje não tem aliança, a gente não casou e a gente está junto todo esse tempo com dois filhos maravilhosos que eu amo demais.
Qual é o segredo para um relacionamento longevo?
Acho que tem que ter muito respeito tem que ter confiança. A gente já estava junto há bastante tempo quando teve filhos, e a nossa relação teve amadurecimentos também. Hoje é uma relação maravilhosa de amor, de respeito, de carinho. Agora estamos vendo a casa ficar grande, porque os filhos começam a sair. Vamos achar um lugar menor.

Ela me contou uma vez que vivem perguntando se o Neto dorme de bota e chapéu (risos). O que tu me diz?
Não, o chapéu eu tiro (risos). Se pegar uma foto antiga minha, eu tô sempre de boina ou de chapéu, não sei, é uma coisa que talvez... o pai usava também quando se pilchava. Não me lembro quando começou isso, mas virou uma característica minha.
Os Fagundes já brigaram?
Nunca. Só discussão de viagem. Teve uma vez que a gente foi batendo boca, não lembro por que, até Gramado, e tinha uma produtora do Rio de Janeiro indo junto, para um evento grandão lá. Ela foi na frente do micro-ônibus, e nós quebrando pau lá atrás, mas não era briga séria. Daqui a pouco, toca o telefone e ela: “Oi, Gladys, tudo bem? (neto imita o sotaque carioca) Seguinte, acho que não vai rolar esse show, não, eles brigaram a viagem inteira!”. E nós dando risada.






