Uma porto-alegrense radicada há oito anos na Amazônia está brilhando na arte da fotografia documental mundo afora.
Com trabalhos no acervo da Biblioteca Nacional da França e fotos estampadas nas capas das principais publicações do globo (do Washington Post à National Geographic), Ana Mendes expõe sua obra em Belém (PA).
Vencedora do Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia (o maior do Brasil) na categoria Criação da Obras Fotográficas, a fotojornalista é antropóloga, mestre em Ciências Sociais e doutoranda em Artes pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Seu foco são temas relacionados à luta por direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais no Brasil.
A exposição “Quem é pra ser já nasce” reúne 24 imagens e colagens em preto e branco captadas ao longo de um ano com dez mulheres (indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco babaçu e assentadas do Maranhão). Todas são lideranças em seus territórios e enfrentam ou já enfrentaram ameaças de morte em razão de suas lutas coletivas pela terra, pela natureza e pela permanência de seus povos.
O ensaio é um recorte da pesquisa de doutorado de Ana e nasceu de uma experiência pessoal da artista, que passou a ser ameaçada após anos de atuação no Maranhão.
Diante do risco de vida, ela decidiu deslocar o foco da violência para "o que vem depois do medo". As imagens apresentadas são, de certa forma, respostas construídas a partir do encontro com essas mulheres.
No fundo, como reflete a própria autora em sua obra, é um trabalho sobre amor e esperança, e não sobre violência e morte.



