Com leveza, bom humor e uma história linda para contar (e cantar), Kleiton & Kledir presentearam o público do Porto Verão Alegre com um show solar no Teatro Simões Lopes Neto, na noite deste sábado (10). A dupla provou, mais uma vez, porque se tornou patrimônio cultural do Rio Grande do Sul.
Foi um showzaço — e tem repeteco neste domingo (11), às 18h (leia os detalhes no fim do texto). Só os dois no palco, mais ninguém. Para quê?
Como disse Kledir, a dupla conta com a "orquestra filarmínima", a "menor do mundo", formada por violão, violino e duas vozes gigantes e amorosas (isso sou eu quem digo). Saudosismo na veia e garantia de sair feliz do teatro.
Os manos pelotenses são a melhor síntese do que se pode chamar de "música popular brasileira gaúcha", a MPB "dos Pampas".
De um jeito único, ao longo de uma carreira prodigiosa de mais de 40 anos, os precursores da musical família Ramil conseguiram uma façanha: unir, em acordes e letras, o Rio Grande urbano e o rural. Na obra de Kleiton & Kledir, o folclore e o regionalismo, em toda a sua boniteza, passeiam pela Redenção, pelo Beira-Rio, pelo saudos Bar João...
Está tudo lá. Desde a interiorana Noite de São João ("Toda noite de São João, eu sonhava em pegar a mão de uma prenda bonita, de vestido de chita e maria chiquinha, soltando foguetchê, pulando fogueiraaaa...") até a mais porto-alegrense e popular de todas (inclusive fora das fronteiras sul-rio-grandanses): Deu pra Ti ("Quando eu ando assim meio down, vou pra Porto e, bah, tri legal...").
Não dá esquecer, também, da sonora Maria Fumaça (o trem que parte de Pedro Osório cheio de causos) e da "bem gaúcha" Roda de Chimarrão ("Esquentei a água no fogareiro do Boitatá, tô cevando o mate com erva boa da barbaquá"), duas joias que retratam um Rio Grande distante da Capital, um Rio Grande orgulhoso de si mesmo.
E das contemporâneas Nem Pensar ("Se rolar, é sinal que valeu, que o destino escreveu a vida, baby...") e Paixão, que me arrisco a dizer (concordando com Kleiton) que se trata da mais arrebatadora canção romântica brasileira (Amo tua voz e tua cor... e teu jeito de fazer amor... com espaço até para o "maldito fecho éclair").
Não tem para ninguém. Deu pra ti, baixo astral, eu quero mais Kleiton e Kledir brilhando nos palcos desta "mui leal e valerosa" Capital. Aqui e além.
Serviço
Ainda tem ingresso para o show deste domingo (11), às 18h, no Teatro Simões Lopes Neto, no Multipalco Eva Sopher. É só clicar aqui. Vai por mim: imperdível.
Novidades

- Kleiton & Kledir voltam a tocar com o irmão mais novo, Vitor Ramil. Será no dia 21 de março, no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre. Depois, o trio sai em turnê pelo Brasil.
- Vem álbum novo em 2026. Os irmãos revelaram, no palco do Simões Lopes Neto, que será um trabalho recheado de canções inéditas. Oba!






