
Lançado em 2024 e vencedor de três prêmios literários (leia abaixo), o livro A Mulher de Dois Esqueletos (Editora Dublinense, 160 páginas), da escritora porto-alegrense Julia Dantas, vai ganhar adaptação para o cinema.
O roteiro está sendo trabalhado pela atriz e diretora Renata de Lélis e pela roteirista Júlia Cazarré, com projeto da Noite Escura Produção Cinematográfica, de Patricia Barbieri, todas do RS.
Expoente da nova geração de escritoras e escritores gaúchos, Julia está faceira com a novidade.
— Elas me chamaram no ano passado para dizer que estavam com vontade de fazer o filme. Queriam saber o que eu achava. De cara, fiquei muito feliz e muito surpresa também, porque nunca imaginei que o texto pudesse ser adaptado para o cinema. A maior parte do livro acontece dentro da cabeça da personagem. Estou ansiosa para ver como vai ficar e torcendo para que elas consigam levar a ideia adiante — conta Julia, que assinou contrato com a turma na última sexta-feira (16).
Segundo Renata, a ideia de escrever o roteiro partiu de uma conversa com a atriz Kaya Rodrigues, que deverá ser a protagonista. Ambas compartilhavam com a personagem essa inquietação com relação a maternidade, carreira e tempo.
— É uma temática muito atual e muito necessária. Além disso, o filme traz muito de Porto Alegre. A cidade realmente é um cenário e um personagem do filme — conta ela.
Renata e Júlia Cazarré já estão finalizando o primeiro tratamento da adaptação e o próximo passo será buscar formas de financiamento para a produção.

A Mulher de Dois Esqueletos está na segunda tiragem. Ganhou o Prêmio Minuano 2025 em duas categorias ("Romance" e "Livro do Ano") e conquistou o Prêmio AGES 2025 de "Narrativa Longa" (junto de Deságua, de Dani Langer).
A obra aborda um dos grandes dilemas femininos: a decisão de ter (ou não) filhos. É narrada da perspectiva de uma escritora que está chegando aos 40 anos e que mergulha em conflitos existenciais sobre maternidade, carreira e as pressões sociais que recaem no corpo feminino. A história se passa no período da pandemia, e os capítulos se intercalam com textos que a própria personagem está escrevendo, misturando humor, lucidez e questionamentos sobre a criação (de filhos e de arte).
*Sob supervisão da jornalista Juliana Bublitz






