O jornalista Carlos Redel colabora com a colunista Juliana Bublitz, titular deste espaço.

Enquanto para muitos fazer cerveja artesanal é um hobby prazeroso, João Luís Giovanella ultrapassou esta barreira e o transformou em negócio: a Salva Craft Beer. E que, hoje, está em ampla expansão. Às vésperas de completar a sua primeira década de existência — em 2026 —, a cervejaria de Bom Retiro do Sul terminou este ano faturando nada menos que 111 medalhas e troféus mundo afora, colocando a marca em evidência nas grandes premiações do setor.
— Até o ano passado, durante toda a nossa história, havíamos vencido 56 prêmios. Somente neste ano, faturamos praticamente o dobro disso. Isso se deu, muito, pela qualidade da nossa cerveja, é claro, mas, também, por termos, agora, um departamento focado em fazer cerveja que vai para concursos — explica João. — Mas, mesmo assim, duas das três cervejas mais premiadas são de linha, estão nas gôndolas dos mercados.
A grande conquista do ano, para o empresário, foi no World Beer Awards (WBA), distinção entregue em Londres, na Inglaterra, que consagrou a sua American Pale Ale (APA) como a melhor do mundo em sua categoria. E o troféu se somou a vários outros, o que levou a equipe a ir pesquisar qual outra cervejaria havia conquistado tantos prêmios quanto a gaúcha. Depois de vasculhar os sites das principais distinções mundo afora — inclusive, as que a Salva sequer participou, deram-se conta que nenhuma outra marca havia chegado à marca de 111 prêmios.
— Fizemos uma pesquisa minuciosa, com responsabilidade, indo atrás de todas as listas de premiados. E, assim, vimos que a Salva havia sido a cervejaria mais premiada do mundo em 2025 — conta João, que detalha não haver um ranking oficial para contabilizar estes prêmos. — O nosso diferencial não é a fórmula, é o processo. A fórmula, é claro, vai sendo aperfeiçoada, mas ela é uma consequência do processo. Se tu largar a fórmula na mão de alguém que não manja do processo, não vai sair o que sai aqui.
Água, malte, lúpulo e levedura. Esses ingredientes são as bases da Salva, que tem como bandeira ser simples na receita, sem os estabilizantes que são colocados em outras cervejas, que aumentam a ressaca e deixam a bebida mais pesada. E desde este ano, ainda, a marca retirou o glúten de todos os seus produtos. Diferenciais que transformam o produto gaúcho em referência.
Tanto é que no 2025 mágico que a Salva teve, ainda foi eleita a segunda melhor cervejaria sul-americana no Concurso Sul-Americano de Cervejas, organizado pela Revista da Cerveja. Além disso, também conquistou o título de melhor cervejaria do ano na categoria grande porte pelo Brasil Beer Cup, competição na qual acumulou 22 medalhas.
Visita à fábrica
A coluna visitou a fábrica da Salva, que fica às margens da BR 386, mais especificamente no km 362. Quem passa por ali e quer chegar para conhecer, existe um pub com diversas torneiras com cervejas variadas — na degustação, a eisbock, a de goiaba e a de morango se destacaram pelo sabor diferentão. Enquanto é possível beber sentado nas mesinhas ou no bar e comprar os produtos para viagem, também dá para ver, pelas portas de vidro, o produto sendo fabricado.
Os equipamentos para a fabricação da bebida, desde as panelas, passando pelos silos e o maquinário para conservação e envase brilhando e com o local sendo lavado constantemente, prezando a higiene e a qualidade da bebida — aliás, para visitar o local da produção, é necessário usar touca protetora. E, por lá, foi possível ver todo o nascimento das cervejas de linha, desde o malte sendo moído até ela saindo pronta do outro lado da fábrica, em um processo que leva de 10 a 20 dias, dependendo do tipo da bebida.
E é curioso que o setor que está destinado para a criação de cervejas especiais, as que também vão para os concursos, é um parque de diversões e de testes dos cervejeiros. Funcionários de várias áreas se reúnem na sala para deixar a imaginação correr solta e criar novas cervejas que, depois, vão para barris de carvalho e, por lá, transformam-se em bebidas novas. Para estas, são meses ou até mesmo anos de processo.
— É na sala de experimentações onde a gente mais se diverte. Reunimos os mais apaixonados por cerveja ali — garante João.
No tour que fizemos, ainda foi explicado que, hoje, a fábrica possui 85 funcionários e funciona em três turnos. A sua capacidade é de 500 mil litros mensais, somando seis milhões por ano — limite do governo do Estado para garantir incentivos fiscais para a empresa como microcervejaria. Esta quantidade é dividida entre as linhas Semana, 365, Bairrista e as especiais "Quintas-Feiras". E se a Salva já está operando no máximo da capacidade para o mercado interno, o próximo passo, agora, é a exportação. E os prêmios devem ajudar a impulsionar a conquista do mercado internacional.
O espaço total do parque fabril é de 2,5 mil m², mas o terreno é de três hectares — ou seja tem espaço para crescer ainda mais. Nestes quase 10 anos de fábrica, o investimento foi de cerca de R$ 30 milhões. Para os próximos anos, o proprietário da Salva conta que existe a possibilidade de injetar mais R$ 22 milhões. Mas, mais do que isso:
— Agora, a régua subiu e a meta é nos mantermos como a cervejaria mais premiada pelos próximos 10 anos.






