O jornalista Carlos Redel colabora com a colunista Juliana Bublitz, titular deste espaço.

Dentro do bilionário projeto POA Futura, que busca trazer melhorias e promover transformação social e urbana na Capital nos próximos anos, uma iniciativa promete enaltecer a contribuição do povo negro para a história da cidade e do Rio Grande do Sul.
Trata-se do Centro de Cultura Negra, iniciativa da Prefeitura de Porto Alegre que prevê uma completa revitalização do Largo Zumbi dos Palmares. Também está dentro do projeto a construção de uma edificação moderna no local, que servirá como museu, mas, também, como espaço cultural e de desenvolvimento.
— Queremos que essa construção esteja à altura da contribuição do povo negro para a história da cidade, do Rio Grande do Sul e do Brasil. Que seja um ponto de referência, onde o mundo inteiro possa chegar na Capital e ter a percepção exata de que no Sul tem preto — reforça a secretária municipal de Cultura de Porto Alegre, Liliana Cardoso.
A iniciativa, que terá um custo estimado de R$ 30 milhões, será financiada pelo Banco Mundial e pela Agência Francesa de Desenvolvimento. O orçamento, de acordo com Liliana, está assegurado. A estrutura ainda deverá trabalhar aspectos de arte, inovação e letramento racial, bem como ser um catalisador da construção de uma cultura de reparação histórica.
— Tudo que permeia a história do negro tem que ter o olhar do negro, ou não há construção fidedigna para um centro de cultura negra. A prefeitura está indo atrás dos melhores parceiros para criar um espaço que não é só um museu, mas uma estrutura moderna, contemporânea. Não quero chegar no museu e ver o negro acorrentado, chibateado, mas, sim, a sua contribuição para a história, para a identidade. Mostrar a visão, as caras e as mãos pretas que por aqui passaram — diz a secretária.
Queremos que essa construção esteja à altura da contribuição do povo negro para a história da cidade, do Rio Grande do Sul e do Brasil
LILIANA CARDOSO
Secretária municipal de Cultura de Porto Alegre
Os trabalhos estão em fase de elaboração pela Diretoria de Programas de Financiamento da prefeitura, etapa que definirá a modalidade de contratação e as bases das intervenções a serem feita
A partir daí, todo o processo, segundo a secretaria de Cultura, será conduzido alinhando critérios técnicos e diálogo com representantes do movimento negro e da comunidade porto-alegrense — incluindo, o Instituto Oliveira Silveira. A ideia é que todo o projeto seja desenhado dentro de um ano.
— Como mulher negra, não quero ver remendos da história, não quero ver espaços sempre remendados. Quero ver a construção do zero e como merece a negritude: no ponto mais alto da lança dos nossos Lanceiros Negros — finaliza Liliana.


