O jornalista Carlos Redel colabora com a colunista Juliana Bublitz, titular deste espaço.
A região do Vale do Sinos foi profundamente atingida pelo enchente de 2024. E, para tentar amenizar as perdas e resgatar as memórias de uma comunidade fundada por imigrantes alemães, o projeto Restauração do acervo museológico atingido pelas enchentes em São Leopoldo está restaurando mais de 140 peças danificadas do Museu Visconde de São Leopoldo (MVSL), incluindo um piano de 120 anos.
Produtora cultural e idealizadora do projeto, Luísa Maciel explica que a sua motivação principal foi a urgência em salvaguardar o conjunto de bens que constitui parte essencial da memória de São Leopoldo. Segundo ela, a enchente impôs uma resposta imediata, mas também despertou a consciência sobre a importância da preservação e da responsabilidade institucional diante do patrimônio histórico.
— Restaurar essas peças é preservar fontes importantes da nossa história — comenta Luísa.
O piano que está sendo recuperado é um alemão Schiedmayer, com cerca de 120 anos, além de outros instrumentos musicais, peças de mobiliário, objetos de uso cotidiano e de representação simbólica, indumentária e acessórios têxteis. Obras de arte de grande relevância, como pinturas de Pedro Weingärtner e retratos de personalidades locais, alguns elaborados a partir de fotografias, também estão na lista.
Sobre as peças, a diretora de Relações Institucionais do MVSL, Ingrid Marxen, ressalta:
— Elas vão voltar ao museu com uma história muito mais longa do que tinham antes da enchente. O piano de 1900, por exemplo, era um piano de 1900. Agora, após a enchente, ele é um piano de 1900 que passou por este desastre, será restaurado e voltará para o espaço. Esses objetos de novo em nosso museu são uma mensagem de esperança.
O restaurador Társis Gradaschi, da Mestres da Restauração Brasil, é responsável pela recuperação dos objetos tridimensionais, (por exemplo, o piano, instrumentos musicais e peças de mobiliário) do projeto. Ao lado dele, estão as restauradoras Magda Villanova, responsável pelas peças têxteis, e Ísis Fófano da Gama, da Magenta Conservação e Restauração, que trabalha na restauração das obras pictóricas (pinturas e retratos).
Todo o processo será documentado e vai resultar na produção de um catálogo e de um documentário, que serão lançados no final do projeto, em 2027. O andamento da restauração dos itens do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo pode ser acompanhado no perfil projeto no Instagram.
O projeto Restauração do acervo museológico atingido pelas enchentes em São Leopoldo é realizado por Luísa Maciel e Ministério da Cultura/Governo Federal, com patrocínio de Zaffari, por meio da Lei Rouanet e com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, via Pró-Cultura RS.


