
O Paralelas podcast da última semana entrevistou o ator e produtor cultural Zé Victor Castiel. O currículo é longo: são mais de 50 anos de teatro, 20 mil locuções e inúmeros filmes.
Nesse bate-papo, ele falou sobre sua trajetória, sobre arte e o legado do festival que idealizou ao lado de Rogério Beretta, o Porto Verão Alegre, que chega a sua 27ª edição em janeiro.
Conduzido pela colunista Juliana Bublitz, o programa vai ao ar toda sexta-feira no YouTube de GZH e no Spotify (segue lá!).
A seguir, leia trechos da entrevista.
Veja a íntegra do episódio
Foi nos anos 1980 que começaste a tua carreira? Como foi?
E eu tenho um tio que marcou muito a minha vida, Antônio Abujamra, que foi um dos grandes diretores de teatro desse país. E lá pela década de 1970. eu tinha 14, 15 anos, e já ia a São Paulo ficar com o meu tio. Eu era menor de idade, em épocas de regime de exceção. E eu podia, então, assistir as grandes atrizes e os grandes artistas de teatro do país das coxias.
Ali que você se apaixonou...
Completamente. E aí, aos 15 anos, montei, junto com outros amigos, um grupo de teatro no Colégio Farroupilha.
Era muito difícil, e viveu outro momento agora em que artistas foram chamados de "bandidos" e "vagabundos". É difícil fazer arte no Brasil?
Eu acho que é difícil fazer qualquer coisa no Brasil. Tem muita fiscalização (...). Mas isso é normal que aconteça quando existe o medo de que as pessoas pensem. A arte, na verdade, é um convite às pessoas raciocinarem, a pensarem, a deduzirem, a abstraírem, a ver, a curtir o estético, o belo e o feio, não querendo ser maniqueísta, mas é isso.
E para as pessoas que apostam na ignorância, que é uma parte, digamos assim, da dicotomia que a gente enfrenta hoje, é importante que se desvalorize o fazer cultural.
Por que a gente precisa da arte?
Porque a gente precisa de uma grande dose de lúdico na nossa vida. A gente precisa ter abstrações, ter coisas impalpáveis, intangíveis, que conseguem navegar pela nossa mente e fazer com que nos tornemos pessoas melhores.
A gente precisa de uma grande dose de lúdico na nossa vida
ZÉ VITOR CASTIEL
Ator
A arte serve para isso. A arte também, se a gente considerar num efeito imediato, tem que causar prazer, mas ela pode causar asco, pode causar medo, pode causar uma série de sensações que não são reais.
Um dos teus personagens mais marcantes foi o Viriato, de Laços de Família, que tinha impotência sexual. Como foi interpretar um "brocha" em rede nacional? Foi o brocha do Brasil durante um ano, né?
Fui durante um ano. E se tivesse que ir de novo, eu iria(...). Eu sou um ator, eu venho fazendo teatro há muito tempo. E sempre acreditei que ao ator cabia representar aquilo que mandam ele fazer. Não é aquilo que ele quer ser (...).
Mais do que impotente, eu acho que aquele personagem serviu para o Brasil ver que a impotência sexual não está ligada à masculinidade, mas, mais do que isso, ela tem cura.
É verdade que naquela época alguns homens te xingavam na rua por "manchar a imagem do homem gaúcho"?
Aqui principalmente, porque eles me achavam como um veículo, um veículo para berrar ao Brasil inteiro que o gaúcho não era macho.
Foi aí que eu disse aquela frase para a revista Veja: "Todo homem é um brocha em potencial. Quem não brochou, vai brochar".
Vai começar a 27ª edição do Porto Verão Alegre, um dos festivais mais importantes da cidade. Queres falar um pouco sobre essa nova edição?
O Porto Verão está fazendo 26 anos ininterruptos nessa próxima edição. Já é um dos maiores festivais privados multiculturais da América Latina. Mas eu não digo isso para dizer que é grandão. Eu digo isso para dizer que ele é inclusivo. São 26 anos incluindo as pessoas (...).
Produção: Guilherme Freling.





