Adentrar as ruínas de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, é uma experiência única, que todo gaúcho e toda gaúcha deveriam viver, ao menos uma vez na vida. É de arrepiar.
Confesso: era uma falha no meu currículo. Eu ainda não conhecia de perto os resquícios da monumental catedral de pedra erguida no século 18, o que sempre me causou constrangimento. A gente corre o mundo e mal conhece o quintal... Para quem tem condições de viajar, não há desculpas.
Paguei a dívida comigo mesma no fim de novembro, início das férias. Fui até as ruínas com meu marido para prestigiar a abertura da Mostra de Cinema das Missões - um motivo a mais para percorrer 600 quilômetros de chão.
Jamais vou esquecer a experiência, não só por finalmente ter visitado o sítio arqueológico, mas por assistir a uma seleção de filmes dentro da igreja, em uma noite de céu estrelado e brisa morna. Sentada na cadeira de pano, apenas com o firmamento sobre a cabeça e os paredões seculares ao lado, me emocionei. O lugar tem alma.
Algo mais me chamou a atenção na incursão pela região: tive a impressão de que o Rio Grande do Sul ainda não acordou para o potencial turístico que tem em mãos. Nem mesmo a proximidade dos 400 anos das Missões Jesuíticas Guaranis parece surtir efeito.
Sim, há projetos em curso, com o aporte de R$ 50 milhões do Estado, em parceria com municípios, para requalificar museus e criar novos atrativos turísticos. É preciso mais.
Vi pouca gente lá, mesmo em um feriadão e com ingressos a míseros R$ 10. Falta estrutura, é longe da Capital e as estradas são ruins. Tudo isso é verdade. Mas nada justifica a indiferença, a inércia, o desinteresse. Investimento nenhum fará a diferença, se o próprio RS não abraçar a causa, como fez com a Serra.
Uma noite inesquecível
Dois jovens — Darius Pippi e Manuela Nicoletti — tiveram a ideia, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou e eles conseguiram apoio via leis de incentivo. Há três anos, a experiência coletiva 100% gratuita se repete nas ruínas de São Miguel.
É a Mostra de Cinema das Missões, que finalmente conheci pessoalmente nesta última edição, em novembro. É mágico.
São 260 lugares, e a população local ainda leva cadeiras de praia. Em 2026, minha dica é: se puder, vá. Além de prestigiar um patrimônio mundial, garanto que você sairá de lá encantado(a) com a experiência.



