
Foram três anos de produção até a pré-estreia do documentário Darcy Fagundes: Meu Famoso Pai Desconhecido, que tem data marcada. Será na terça-feira (16), a partir das 18h, na Cinemateca Capitólio.
O filme conta a história do ator, declamador e radialista Darcy Fagundes. Por 15 anos, ele apresentou o Grande Rodeio Coringa, na Rádio Farroupilha, programa que "reformulou toda a história da fonografia rio-grandense", como declarou Paixão Côrtes certa vez.
Neste ano, a Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas homenageou escolhendo o tema "Ondas curtas para uma história longa – O centenário de Darcy Fagundes e os 70 anos do Grande Rodeio Coringa".
Ao longo dos anos em que foi ao ar, o Grande Rodeio Coringa divulgou músicos, declamadores e figuras ilustres da cultura gaúcha, como Gildo de Freitas, Gaúcho da Fronteira, Berenice Azambuja, Albino Manique e Antoninho Duarte.
Para a filha Luciane Fagundes, porém, o filme é mais do que um registro da história de um artista tão importante para o Estado. Segundo ela, a produção foi uma oportunidade de se reconciliar com uma figura paterna.
— Eu não gosto da expressão ajuste de contas ou reconciliação, mas não dá pra negar que tem um pouco disso. Porque tem o meu reconhecimento da obra desse artista e também dessa pessoa como meu pai — conta ela, que dirigiu o documentário.
Segundo ela, a relação com o pai foi complicada na adolescência por uma aversão ao que ele representava para o tradicionalismo. Agora, aos 62 anos, Luciane se diz disposta a "compreender melhor aquele universo".
Produção independente
O produtor Antonio Czamanski acrescenta que a produção é um "resgate histórico e afetivo" a figura de Darcy. Ele destaca o esforço da equipe para gravar as 21 entrevistas com familiares, artistas e pesquisadores de rádio e da cultura do Estado, além de buscar registros inéditos do programa.
— Foi um processo longo. São, pelo menos, três anos desde a primeira conversa. A gente foi pegando peça por peça para montar esse mosaico com muitos quebra-cabeças no meio — afirma.
Depois dessa pré-estreia, o filme deve rodar por festivais de cinema pelo país. A expectativa é que entre no circuito comercial em setembro de 2026.
A montagem é do cineasta Rogério Brasil Ferrari com direção de fotografia de Eduardo Izquierdo e Ivo Czamanski, morto em 2023. A música original foi composta por Marcelo Fornasier e a arte de abertura é de Eloar Guazzelli.
O legado de Darcy Fagundes
Nascido em Uruguaiana, Darcy foi o precursor do sucesso da família Fagundes. Em maio, seu sobrinho Neto Fagundes ressaltou o pioneirismo para a música e a cultura do Estado.
— A nossa música é muito nova, se a gente pensar. Não havia uma música nossa (antes dos anos 1950). Eu acho que ali a gente tem um polo, um início que gerou tudo isso que a gente tem hoje de regionalismo. O que eu faço hoje no Galpão Crioulo é o mesmo que o tio Darcy fazia — afirmou ele à Zero Hora.
Serviço
- O quê: Pré-estreia do documentário Darcy Fagundes: meu famoso pai desconhecido
- Onde: Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1.085)
- Quando: terça-feira (16), às 19h
- Valor: gratuito, com distribuição de ingressos a partir das 18h na bilheteira
*Produção: Guilherme Freling


