
Elas não podiam ficar de fora do Paralelas. Andressa Xavier, Giane Guerra e Rosane de Oliveira, as três jornalistas à frente do Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, são as entrevistadas da semana no meu podcast.
No bate-papo, elas falam de amizade e vida pessoal, contam como lidam com “haters” e muito mais. A seguir, leia um trechinho da entrevista.
Dica: vale muito ver a íntegra. O programa vai ao ar toda sexta-feira no YouTube de GZH e no Spotify (segue lá!).
Veja a íntegra do episódio
Como é para três mulheres liderar o Gaúcha Atualidade, um dos principais programas do rádio no RS?
Andressa: A gente tem três visões complementares, mas diferentes a respeito desse momento. Confesso que não parei para pensar assim: três mulheres. As mulheres agradecem o espaço, a representatividade e tudo mais, mas aconteceu de forma mais natural (...). Eu acho que a Rosane tem uma visão um pouquinho diferente, porque foi das primeiras mulheres a estar no ar todos os dias. Teve que abrir, chutar a porta, para que as outras chegassem.
Rosane: É que quando eu cheguei na Rádio Gaúcha, as mulheres não existiam praticamente. As vozes eram masculinas. Quem era de rádio, e isso era uma tradição, tinha que ter o vozeirão. Não era o falar natural como a gente fala.
Mas teve resistência? Vocês enfrentaram algum tipo de machismo nesse caminho?
Giane: No Atualidade, não. Mas no início, sim. E não só machismo por ser mulher, mas porque eu comecei a fazer cobertura de economia muito jovem. Conversava com empresários, economistas, com autoridades bem mais velhas. Estudei bastante para poder peitar e dizer: 'eu posso ser nova, mas tenho conteúdo e posso, sim, falar contigo.'
Andressa: Mas, unindo as três, sim, eu acho que teve (machismo). Tinha ouvinte que mandava assim, 'ai, vão fofocar as três mulheres', 'as comadres.' E eu acho que é com o trabalho que a gente responde isso.
Como é que vocês lidam com as críticas e com os haters das redes sociais?
Giane: Tem um casco que a gente vai construindo ao longo do tempo. E outra coisa: ter convicção naquilo que a gente faz. Convicção, inclusive, de eventualmente mudar de opinião.
Andressa: Têm dias e dias, e como a gente está para receber isso (a crítica). Tem dia que a gente está forte. Mas tem dias que, como todo ser humano, a gente não está bem por algum motivo. E, às vezes, obviamente, nos abala.
Rosane: Tem uma coisa que me irrita muito, que é quando as pessoas dizem que estou falando bem do fulano “porque caiu o Pix” (...) Essas falas me dão o direito de achar que se essas pessoas tivessem um espaço como o meu, se venderiam por um Pix. Eu não não me vendo.
Como é conciliar tudo isso com a maternidade?
Rosane: Eu não conciliei. Não deu para conciliar. Eu falhei em algumas coisas. Eu faltei a festa de Dia das Mães por causa do trabalho. Era uma contingência. Era uma necessidade.
Andressa: Eu nunca tinha vivido nada parecido, assim, de ficar seis meses fora do trabalho (...). No primeiro ano, minha filha mamava, e eu não viajei (a trabalho). Viajei só depois que ela fez um ano, e as gurias seguraram muito bem. Elas iam às externas (transmissões fora do estúdio), e eu ficava. Até hoje, não vou a muito evento à noite, porque eu quero ficar com ela.
Giane: Foi vida louca, tá? Mas é incrível. Faria tudo de novo. Tomei a decisão de fazer a comida deles, de amamentar por mais tempo... Eu quis conciliar com o trabalho, que também é importante para mim. Também acho que tive um privilégio, porque tive um apoio gigantesco da minha mãe para me ajudar. Minha mãe me ajudou a criá-los. Estava lá cedinho de manhã, nos primeiros anos deles.
Rosane, tu és a decana do programa. Sofre com etarismo?
Rosane: Sim. Tem gente que, para me criticar, fala: “Vai para casa, velha, te aposenta e vai cuidar dos netos”, que eu nem tenho. Aí respondo o seguinte: pode me chamar de velha, que isso não me ofende, porque a alternativa é bem pior, né? Só não envelhecem os que morrem jovens, e, se tem uma coisa que gosto, é de viver.
Produção: Guilherme Freling



