O jornalista Carlos Redel colabora com a colunista Juliana Bublitz, titular deste espaço.

O boneco de madeira que ganha vida e se torna um menino de verdade. É o resumo da história de Pinóquio, que atravessa e encanta gerações. Mas o que acontece depois? Como seria a trajetória do personagem na vida adulta, responsável por cuidar de seu criador?
Essa foi a inspiração de Geppetto, nova montagem do premiado grupo teatral Máscara EnCena, que celebra os seus 10 anos de existência. Concebido e com atuação de Fábio Cuelli, o espetáculo de bonecos terá a sua estreia em Porto Alegre, com a primeira sessão já nesta sexta-feira (21).
A temporada segue até dia 30 de novembro, com apresentações sempre às sextas, sábados e domingos, às 19h, na Sala Álvaro Moreyra (Avenida Erico Verissimo, 307 — bairro Menino Deus). Os ingressos já estão à venda na plataforma Sympla.
Esta versão gaúcha de Pinóquio retrata a relação entre um homem e a figura paterna, tendo como referência o clássico As Aventuras de Pinóquio: História de uma Marionete, lançado pelo italiano Carlo Collodi, em 1883. Tudo surgiu a partir da experiência pessoal de Fábio Cuelli, que utiliza boneco híbrido e marionete em cena.
— Me peguei, recentemente, assumindo algumas responsabilidades e percebendo como comecei a ter atitudes de cuidado com os meus pais. Devido a isso, fui buscando compreender como outras famílias reconhecem e lidam com essa inversão de papéis. Tal busca me levou a perceber que o Brasil, segundo o IBGE, está aumentando o número de idosos e que, em 2070, eles serão quase 40% da população brasileira. Será que estamos discutindo, como sociedade, sobre o cuidado no envelhecimento? — questiona Cuelli.
Com texto de Nelson Diniz e direção cênica de Liane Venturella, a produção tem como cenário uma oficina com ferramentas, pedaços de madeira e blocos de argila, São as matérias-primas para as criações do filho que, além de médico, seguiu o ofício do pai e tornou-se escultor.
Outra curiosidade da peça é que, em alguns trechos, os personagens se comunicam por meio do talian, uma língua de imigração falada no Brasil em regiões de ocupação italiana desde 1875, incluindo o nordeste do Rio Grande do Sul. Um recurso que reforça a intimidade familiar, já que esse dialeto foi usado, durante muito tempo, somente dentro das casas dos imigrantes devido à proibição imposta durante a Segunda Guerra Mundial.
Serviço:
- Quando: de 21 a 30/11, nas sextas-feiras, sábados e domingos, às 19h.
- Onde: Sala Álvaro Moreyra (Av. Erico Veríssimo, 307 — bairro Menino Deus), em Porto Alegre.
- Quanto: de R$ 25,00 a R$ 50,00 + taxas nas compras on-line, na plataforma Sympla.
- Duração: 50 minutos
- Classificação indicativa: 10 anos





