Uma das mais famosas e cruéis histórias do imaginário porto-alegrense vai virar ópera. Nos próximos dias 25 e 26, A Prisioneira do Alto da Bronze terá sua estreia na Associação Leopoldina Juvenil, na Capital.
Conduzida pela Orquestra de Câmara da Ulbra e a Cia Ópera Brasil, a montagem será cantada em português, com solistas, coro, atores e tudo o que o público tem direito.
Com direção cênica do talentoso Henrique Cambraia (o mesmo de O Elixir do Amor, da Companhia do Ópera do RS), o espetáculo é baseado na história real de Nilza Linck (1923-2021), na Porto Alegre da década de 1950.
Sob a batuta do maestro Tiago Flores, com texto de Pedro Longes e música de Jean Lopes Baiano, a encenação contará a trajetória de Elsa Laufer (inspirada em Nilza e interpretada por Yasmini Vargaz), com a participação de Deizi Nascimento (como a mulher traída, Rosa Cardoso) e de Daniel Germano (intérprete do abusador, José Alfredo).
A protagonista é uma mulher livre e sonhadora, que acaba confinada pelo amante (um político influente e casado) no “castelinho” da Rua Fernando Machado, no Centro Histórico.
Ela vive reclusa, seduzida com promessas de amor e casamento jamais cumpridas, enquanto a esposa de José Alfredo enfrenta o escândalo e a humilhação pública.
Até hoje, o prédio de características únicas é alvo de curiosidade (e de arrepios). Tornou-se ponto incontornável de passeios guiados que tratam das “lendas” da cidade. Neste caso, é um fato real de abuso e violência.
Estreia mundial
Os preparativos para a primeira exibição estão a todo vapor.
– A estreia de uma ópera é sempre um marco. Antigamente, quando um novo título era anunciado, gerava grande expectativa e mobilização na sociedade. Era um evento que reunia artistas, intelectuais e o público em torno de uma obra que refletia os sentimentos e as questões do tempo. Com A Prisioneira do Alto da Bronze, estamos não apenas dando voz a uma história que faz parte da memória de Porto Alegre, mas também resgatando essa tradição de celebração e reflexão coletiva através da música – diz o maestro Tiago Flores.
Não dá para perder.
Serviço
- O que: ópera Prisioneira do Alto da Bronze, da Cia Ópera Brasil e da Orquestra de Câmara da Ulbra
- Onde: Associação Leopoldina Juvenil (Rua Marquês do Herval, 280, Porto Alegre)
- Quando: 25 e 26 de novembro, às 20h
- Ingressos: pela plataforma Sympla, custando entre R$ 50 e R$ 100.
Ficha técnica
- Direção artística: Yasmini Vargaz
- Libreto: Pedro Longes
- Música: Jean Lopes Baiano
- Regência: Tiago Flores, à frente da Orquestra de Câmara da Ulbra
- Direção cênica: Henrique Cambraia
- Assistente de direção: Letícia Krenzinger
- Figurino: Daniel Lion
- Iluminação: Veridiana
- Cenografia: Eduardo Menna e Vitor Ferreira
- Acessórios: Letícia Kleemann
Elenco
- Elsa Laufer: Yasmini Vargaz (soprano)
- José Alfredo: Daniel Germano (barítono)
- Rosa Cardoso: Deizi Nascimento (soprano)
- Lucila, a governanta - Ana Carla de Carli (mezzo)
- Gabriela, a camareira - Priscilla Ramos (soprano)
Coro
Ana Carla de Carli, Deizi Nascimento, Priscilla Ramos, Raissa Rochadel, Rodrigo Bloch, Daniel Schilling, João Benetti e Oritz Campos.
Atores
Eduardo Schenini, Gabriele Rigon, Jorge Luiz Rocha, Júlia Batista, Karla Quintana, Leila Pereira, Letícia Kleemann, Letícia Krenzinger, Oritz Campos e Queli Cambraia.
*Colaborou Maria Clara Centeno



