
À frente da Fundação Theatro São Pedro, Antonio Hohlfeldt anunciou, nesta quinta-feira (13), a decisão de suspender a assinatura de todos os contratos do Multipalco para espetáculos da temporada de 2026. Isso significa que — até segunda ordem — não haverá programação a partir de janeiro.
A medida é grave, inédita e surpreendente. Segundo ele, deve-se à falta de pessoal e à necessidade urgente de reformulação do plano de cargos e funções da fundação. O plano não dá conta da nova estrutura.
Graças a investimentos do governo de Eduardo Leite, as obras do Multipalco foram finalmente concluídas em 2025, após 20 anos de idas e vindas. Isso tornou possível a inauguração de dois novos teatros (Olga Reverbel e Simões Lopes Neto), além da estrutura de apoio onde estão sediadas Orquestra Theatro São Pedro, Companhia de Ópera do RS, Orquestra Jovem, ONG Sol Maior e os projetos do Instituto Estadual de Artes Cênicas (Ieacen).
— A estrutura triplicou de tamanho, assim como as nossas atividades, mas, em mais de dois anos de tentativas, não conseguimos sensibilizar a Secretaria de Planejamento no sentido de reestruturar nosso quadro de cargos e funções. Nossa esperança é o governador — diz o presidente.
A suspensão só será revertida, conforme Hohlfeldt, quando o Palácio Piratini enviar à Assembleia Legislativa projeto de lei que atualiza o quadro.
— O atual plano de cargos e funções é de 2014. Não cabe mais para um espaço que hoje é três vezes maior. Ali estão previstas funções que nem sequer existem mais, enquanto que outras realmente necessárias não são atendidas. Em que pese a grade de programação do primeiro semestre de 2026 estar praticamente completa, nenhum documento será firmado entre a fundação e os grupos artísticos e seus produtores até que tenhamos uma solução — afirma Hohlfeldt.
Por exemplo: até agora, há apenas um diretor de teatro (que atendia ao São Pedro, atualmente em reforma), mas, com a abertura do Multipalco, passam a ser necessários três.
Para contornar as dificuldades, a fundação buscou a cedência de funcionários do quadro do Estado, mas, segundo Hohlfeldt, “mesmo neste caso, levamos mais de dois anos para adequar a legislação que praticamente impedia a cessão de funcionários”.
Outra maneira de atender às necessidades de pessoal foi a contratação emergencial, após a covid e, no ano passado, após a enchente, de técnicos de luz e som.
— O problema é que tais licitações têm validade por um ano, estão vencendo e não temos mais como alegar emergencialidade. Como vamos trabalhar sem técnicos de luz e som? Já alertei inúmeras vezes à Secretaria de Planejamento e Gestão, mas até agora, nada. Nos tratam como um segundo escalão do governo. A cultura não interessa para os responsáveis pelo Planejamento do Estado. Então, vamos suspender nossas atividades, até porque, é impossível receber os espetáculos sem este corpo especializado de funcionários. O governador Leite, que sempre teve sensibilidade para as coisas da cultura, é nossa última esperança — diz Hohlfeldt.
O projeto precisa ser enviado à Assembleia ainda neste mês, para ser discutido e votado em dezembro e implementado em janeiro.
O que diz o governo do Estado
Por meio da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão, o governo do Estado se manifestou sobre o assunto por meio de nota.
Leia a íntegra:
O governo do Estado do Rio Grande do Sul informa que mantém diálogo permanente com a direção da Fundação Theatro São Pedro e com as demais instituições culturais do Estado. As equipes técnicas da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) estão em tratativas para avaliar as demandas apresentadas pela fundação, incluindo a atualização do plano de cargos e funções.
O governo reconhece a relevância histórica e cultural do Theatro São Pedro e do Multipalco para o Rio Grande do Sul e reforça que busca soluções que conciliem as necessidades da instituição com o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal e o equilíbrio das contas públicas.
O Estado reafirma seu compromisso com o fortalecimento da cultura gaúcha e com a construção conjunta de alternativas que assegurem a continuidade das atividades culturais, sempre com responsabilidade administrativa e financeira.



