O jornalista Carlos Redel colabora com a colunista Juliana Bublitz, titular deste espaço.

— Em português se diz...
É com essa frase que começam os vídeos de Leo Brizolla, 29 anos, criador de conteúdo que vem viralizando nas redes sociais. Na sequência, ele traz uma explicação prévia do que vem a seguir: a declamação de versos complexos que fazem parte de músicas tradicionalistas de sucesso.
Um dos hits de Leo foi com a música Espantando Bagual, de Mano Lima. No vídeo, ele traduz as linhas compostas pelo gaudério de Itaqui, que canta "Temo domando, temo aprendendo, temo ensinando / O homem é igual ao cavalo / Quando é bom, já nasce pronto / Mas a vida é que dá o pealo / Para deixar de ser potro". A versão "em português" seria "a vida é contínuo despertar de sabedoria e evolução".
Mas, claro, tudo isso com um mate na mão e uma interpretação intensa, daquelas que batem forte no vivente. Tanto é que um dos comentários na publicação de Leo diz o seguinte: "Tchê, escutando somente a música o cara não percebe a pancada de poesia e profundidade de conhecimento que estes versos trazem".
Somente este vídeo já carrega mais de 3 milhões de visualizações. E chegou longe. Inclusive, com artistas dos quais Leo é fã começando a segui-lo nas redes sociais, comentando em seus posts e querendo ver as suas composições ganhando versões "em português se diz".
— É surreal um artista que, para mim, é um ídolo está recebendo a minha ajuda de forma inconsciente, natural. E não só reconhecendo o meu trabalho como tendo vontade de compartilhar. Fico muito feliz de ver o artista revivendo uma música que há muito tempo está aí, que foi o sucesso, mas que pouca gente conhecia fora do Rio Grande, ganhando uma projeção, agora, nas redes sociais — conta Leo, orgulhoso.
Hoje, o criador de conteúdo tenta publicar, pelo menos, três vídeos por semana em suas redes sociais. E já gravou com canções de João Chagas Leite, Leonel Gomez, Dimas Costa, Wilson Paim, Luiz Carlos Borges, além de muitos outros. Em seu perfil no Instagram, conta com mais de 200 mil seguidores, que se somam aos outros 120 mil do TikTok.
— A minha formação é de uma área completamente diferente. Sou formado em Engenharia Civil, fiz mestrado em Geotecnia e Pavimentação, comecei a dar aula em universidade. Só que nunca imaginei que a parte artística poderia, de certa forma, tomar uma proporção que superasse o meu ambiente profissional. Quando a gente começa a trazer esses versos das músicas para a o Instagram e TikTok, nota que a aceitação é muito positiva — diz Leo.
Outros hits
Nascido em Ijuí e, hoje, morador de Capela de Santana, o jovem é formado em Engenharia Civil e descobriu a cultura tradicionalista ao adentrar um CTG pela primeira vez aos oito anos. Depois de um tempo, descobriu o talento para a chula. Tornou-se um dançarino premiado, inclusive, conquistando distinção no Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (Enart).
Só que, sempre antenado nas redes sociais, em 2017, criou com dois companheiros de dança o Triopacito, que fez sucesso no Brasil todo ao dançar chula sob o som do hit Despacito, do porto-riquenho Luis Fonsi. Viralizou tanto que foi parar em programas nacionais de televisão, como Caldeirão do Huck e Encontro com Fátima Bernardes. Depois, o grupo foi adaptando outras músicas de sucesso para o sapateado. Ou seja, o trabalho de levar a cultura gaúcha mais longe não é algo recente para Leo.
— Se nós, criadores de conteúdo e artistas gaúchos não estivermos onde os jovens estão, não vamos conseguir falar com eles. Várias questões fizeram que as pessoas se afastassem da essência do gauchismo e se ninguém levar a palavra, a cultura e, principalmente, desmistificar isso, não vai se aproximar dos jovens. A nossa cultura não é para poucos. Todo mundo pode escutar o Mano Lima, o Luiz Marenco, o Gujo Teixeira e aprender muito com eles. Então, criar esse tipo de conteúdo ajuda a renovar a nossa tradição — completa Leo Brizolla.






