
A decisão da Fundação Theatro São Pedro de suspender a temporada de espetáculos do Multipalco em janeiro de 2026 por falta de pessoal virou motivo de preocupação e dor de cabeça na classe artística. É o caso dos organizadores de um dos mais tradicionais e queridos festivais de teatro da Capital, o Porto Verão Alegre.
Liderado pelos atores Rogério Beretta e Zé Victor Castiel, o evento ocorre de 8 de janeiro a 8 de fevereiro e abre a venda de ingressos em dezembro, com cerca de 140 espetáculos.
Em torno de 20 deles, a maioria de companhias nacionais (com mais de 100 profissionais envolvidos), estavam previstos para o Multipalco, no Teatro Simões Lopes Neto e no Teatro Oficina Olga Reverbel.
— Estamos em compasso de espera, aguardando o desfecho desse imbróglio. Somos solidários ao Multipalco. Infelizmente, o descaso com a cultura é uma constante. Se um espaço desse porte, nobre e novo, não tem funcionários suficientes, imagine os outros locais — lamenta Beretta.
O Porto Verão Alegre também recebeu, nesta quinta-feira (13), a informação de que não poderá contar com a conclusão da reforma do Teatro de Arena (em obras há cerca de um mês) a tempo do festival, o que amplia os problemas. Tanto Beretta quanto Zé Victor foram surpreendidos.
— É preocupante. No caso do Multipalco, trata-se de um espaço absolutamente especial. Esperamos que dê tudo certo. Se não der, teremos de realocar nossos espetáculos de algum jeito — diz Zé Victor.
À frente da Fundação Theatro São Pedro, Antonio Hohlfeldt pede ao governo do Estado a reformulação urgente do plano de cargos e funções do complexo cultural, que não dá mais conta da nova estrutura.
Graças a investimentos da gestão de Eduardo Leite, as obras do Multipalco foram finalmente concluídas em 2025, após 20 anos de idas e vindas. Isso tornou possível a inauguração dos dois novos teatros (além do São Pedro), o que triplicou a demanda.
— O atual plano de cargos e funções é de 2014. Não cabe mais para um espaço que hoje é três vezes maior. Ali estão previstas funções que nem sequer existem mais, enquanto que outras realmente necessárias não são atendidas. Em mais de dois anos de tentativas, não conseguimos sensibilizar a Secretaria de Planejamento. Nossa esperança é o governador — diz Hohlfeldt.
O que disse o governo do Estado
Por meio da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão, o governo do Estado se manifestou sobre o assunto na quinta-feira (13), mas, até o momento, não houve evolução no assunto.
Leia a íntegra da nota oficial:
O governo do Estado do Rio Grande do Sul informa que mantém diálogo permanente com a direção da Fundação Theatro São Pedro e com as demais instituições culturais do Estado. As equipes técnicas da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) estão em tratativas para avaliar as demandas apresentadas pela fundação, incluindo a atualização do plano de cargos e funções.
O governo reconhece a relevância histórica e cultural do Theatro São Pedro e do Multipalco para o Rio Grande do Sul e reforça que busca soluções que conciliem as necessidades da instituição com o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal e o equilíbrio das contas públicas.
O Estado reafirma seu compromisso com o fortalecimento da cultura gaúcha e com a construção conjunta de alternativas que assegurem a continuidade das atividades culturais, sempre com responsabilidade administrativa e financeira.



