Começou como Lancheria dos Gringos, em 1983, com um PF de lamber os beiços. Depois, em 1990, o tradicional espaço na esquina da Ramiro Barcelos com a São Carlos, em Porto Alegre, virou churrascaria — a Na Brasa. O negócio cresceu, se renovou, foi rebatizado de NB Steak e hoje completa 35 anos como uma das mais sofisticadas redes de rodízio de carnes do Brasil.
São 800 funcionários e 10 casas, duas delas na capital gaúcha, uma em Goiânia (GO) e sete em São Paulo, frequentadas por artistas, políticos, empresários, técnicos e jogadores de futebol (curiosidade: muitas contratações da dupla Gre-Nal foram fechadas lá).
À frente do empreendimento, estão duas figuraças do interior de Encantado, no Vale do Taquari: os cunhados Lemir Magnani e Arri Coser (fala-se Ari). Almocei com a dupla no NB e ouvi, em detalhes, um pouco da história que é exemplo de resiliência e inovação.
O início não foi fácil. A inauguração da antiga Na Brasa teve como pano de fundo a montanha-russa econômica do governo Collor, marcada pelo confisco da poupança. Foi a primeira de muitas crises superadas, incluindo a pandemia e a enchente de 2024, quando a sede foi alagada e ficou fechada por 61 dias.
Nada disso abalou o espírito empreendedor de Lemir e Arri, que saíram da roça cedo, em busca de oportunidades. Encontraram o que procuravam no ramo da gastronomia, começando de baixo.
— Fui faxineiro, lavador de louça, garçom... Isso lá atrás, quando surgiram as primeiras churrascarias de beira de estrada. Era tudo novidade. Aprendi na prática, com os clientes — recorda Arri, o mais inventivo dos dois.
Até hoje, Lemir dá risada quando lembra da entrada do cunhado na sociedade, até então tocada apenas com o apoio precioso da esposa, Mairi.
Arri voou alto antes de aterrissar na NB. Em 1979, depois de muito prato lavado, acabou por fundar a Fogo de Chão, que se tornaria o colosso das churrascarias no mundo, com restaurantes no Brasil e no Exterior. Em 2011, decidiu se desligar da marca. Ganhou um bom dinheiro, mas nunca pensou em parar. Craque em antecipar tendências, procurou Lemir para propor mudanças.
— Ele veio falando que a gente tinha de acabar com o buffet e servir de um jeito diferente. Minha filha ajudou a me convencer — conta Lemir.
No lugar do formato tradicional, a renovada NB passou a oferecer carnes diferenciadas de mesa em mesa, tipo menu degustação.
São 12 cortes (como bife ancho, costela premium, brisket defumado, etc.) de raças britânicas, caracterizadas por alto nível de marmoreio (gordura bem distribuída entre as fibras). As carnes vêm de fazendas do interior de São Paulo, do RS e do Uruguai.
Ainda há espetos circulando pelos salões, mas apenas para dois cortes: a picanha e o vazio.
As alterações também chegaram às saladas, que ganharam um menu elegante (com queijo brie, com carpaccio e molho de mostarda, etc.). Os pratos são servidos frescos e individualmente, direto da cozinha.
Outro capítulo à parte são os novos acompanhamentos: palmito pupunha na grelha, mix de cogumelos, queijo coalho com geleia de pimenta e por aí vai.
As novidades prosseguem.
A partir de 2026, a rede ganhará uma nova carta de vinhos, 100% brasileira. Adotada inicialmente em São Paulo, a seleção foi feita pelo sommelier Stêvão Limana, gaúcho de Santiago e jornalista da CNN. São rótulos garimpados a dedo, inclusive no RS.
Outro destaque em fase de testes (em SP) é o famoso bife wagyu, de uma raça bovina japonesa célebre pela proteína de altíssima qualidade (que já foi considerada a melhor carne do mundo).
— A gente está sempre buscando o novo. Sempre. Não dá para parar. Negócio que para, morre — ensina Arri.
Talvez essa inquietação, afinal, seja um dos segredos do sucesso.

