
Entre abril e maio do próximo ano, a gaita gaúcha vai roncar em solo europeu. A guaibense Adriana de Los Santos é uma das cinco instrumentistas – e única mulher –convidada para participar da Akkordeonale Internacional Accordion Festival, na Alemanha.
Ao longo de seis semanas, vai rodar cidades como Leipzig e Bonn, na Alemanha. Com ela, participam o francês Zabou Guérin, o italiano Maurizio Minardi, o grego Dimos Vougioukas e o alemão-holandês Servais Haanen.
— Pra mim, representa uma vitória não só pessoal, mas uma conquista para todas as mulheres gaúchas — conta Adriana.
Hoje, com 33 anos de carreira, ela integra a banda Gurias Gaúcha e é professora no projeto Fábrica de Gaiteiros, do Instituto Renato Borghetti, em Butiá. Além de ensinar as novas gerações, ela conta que aprende muito com os alunos. Seu orgulho, diz, é promover a integração entre as gerações.
— É uma troca cultural. Tento passar para eles o que eu sei da música gaúcha e eles me trazem coisas de música japonesa, música coreana. Eu tento adaptar para a gaita para eles verem que que a gaita é um um instrumento universal. Tu pode tocar qualquer coisa, não apenas a música regional — completa.
Neste ano, iniciou a Tour 33 Anos de Gaita, com o espetáculo instrumental Botoneando, e o projeto Adriana de Los Santos & Grupo Dê-Lhe Fole, com o show A Festa do Vanerão.
As mulheres da música gaúcha
Num ambiente ainda dominado por homens, ela tem uma trajetória que promove o protagonismo feminino. Nos anos 2000, no embalo da Tchê Music, integrou o grupo pioneiro Só Gurias que rodou o país com ritmos gaúchos e de bombacha.
— Foi muito legal, porque a gente teve bastante repercussão nessa época. Sofremos bastante preconceito também (...) não deixavam tocar de piercing. Teve lugares na serra gaúcha que eles mandaram um fiscal do MTG analisar música por música para ver se não estava fora do contexto gaúcho — relembra.
Mas seu propósito de fortalecer a presença das mulheres na música do RS seguiu. Em outubro, Adriana publicou um ensaio de fotos sensuais com o acordeon. A intenção, explica, era promover uma reflexão a respeito do papel das mulheres no cenário da música gaúcha:
— A gente percebeu, assim, por várias divulgações, que são poucas ainda as mulheres no palco. Mesmo tendo muitas instrumentista, muitas cantoras.
*Produção: Guilherme Freling



