
Ela é demais. São 40 anos de literatura, mais de 30 de crônicas em jornal e muito para dizer. Martha Medeiros, patrona da Feira do Livro da Capital, é a entrevistada da semana no Paralelas podcast.
Gravado dentro da reserva técnica do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), em meio a 600 quadros, o programa completo vai ao ar nesta sexta-feira (1º) no YouTube de GZH e no Spotfy.
Conversamos por 40 minutos, sobre temas como literatura, inteligência artificial, a maior fake news do universo literário (da qual Martha foi alvo), a nova mulher de 60 e a proximidade com grandes artistas (que já transformaram textos de Martha em músicas, peças, filme e série de TV).
Assista ao episódio inteiro em gzh.digital/paralelas. A seguir, destaco algumas das falas de Martha na entrevista, só para dar um gostinho.
Convite irrecusável
"Se realmente queremos salvar o mundo, temos de botar livros nas mãos das crianças. Tragam as crianças à Feira! Venham!"
Parque de diversões
"Sempre considerei a Feira do Livro um grande parque de diversões. Eu aguardava com ansiedade. Nos tempos de estudante, de colégio, eu ia a pé do Bom Conselho, atravessava a Independência e ia direto para lá. Era muito legal. E o que é mais louco: eu vinha sem saber que um dia estaria do outro lado do balcão. Literalmente. do outro lado da mesa de autógrafos."
Veja aqui o episódio na íntegra
Patronas
"No começo, a Feira do Livro nem tinha patrono nem patrona. Depois é que começou a ter. O que me surpreende é que, antes de 2010, foram só três patronas, então isso ainda é muito novo. Está atrasado, tem de equalizar, isso não tem dúvida. A gente tem de pensar daqui para frente. Quero abrir essa porteira para que, no ano que vem, seja uma mulher de novo e no outro ano, mais uma mulher. Dar uma sequência de mulheres, assim como houve uma grande sequência de homens."
A nova mulher de 60
"É a nova mulher que sai daquele lugar privado e entra no mundo público, fazendo tudo o que ela quiser fazer, com espaço para qualquer coisa, qualquer coisa que ela quiser, dona da sua sexualidade e fazendo planos. Isso é o mais importante. Não mais ter 60 anos fazendo planos de se recolher na casinha. A gente tem muita coisa a fazer ainda. Com 60, tu botaS uma mochila nas costas e vai…"
IA
"Na hora da criação, ainda prefiro o trabalho artesanal. Usar a inteligência artificial seria prestar um desserviço a mim mesma."
O novo moderno
"É muita informação fragmentada, é tudo muito breve, e com isso a gente vai perdendo a subjetividade da vida, né? Para isso, tem de ter mergulho, tem de ter tempo, tem de ter introspecção. Hoje não existe mais conversa, é só trocar mensagenzinha por WhatsApp. Isso está começando a ficar cansativo e não tão moderno. Talvez ser moderno hoje seja ter um equilíbrio."
Dentro de um abraço
"Eu tava em casa trabalhando, aí toca o meu celular. Na época, eu ainda atendia números desconhecidos. 'Oi, Marta. Aqui é o Flausino, do Jota Quest'. Era a voz dele mesmo. 'Marta, é o seguinte: eu li uma crônica tua, e a gente fez uma música. Sei que eu já devia ter te ligado há mais tempo, mas agora nós estamos entrando em estúdio. Posso te mandar?' Pensei, ai, tomara que seja boa. Só falta eu não gostar! Aí ele me mandou a música, e eu adorei. Virou carro-chefe do disco."
Mundo artístico
"Adoro quando sou adaptada para o teatro, para o cinema, a música. Não foi a única vez. O Nenhum de Nós também já tem uma música minha, Keliton e Kledir, Frejat. É outra linguagem, e eu acho muito legal esse exercício do desapego. A vida se movimenta."





