O coração do Theatro São Pedro, em Porto Alegre, está tomado de andaimes. São cerca de 20 torres de 12 metros de altura, do piso ao forro, no lugar onde até março deste ano ficava a plateia.
Estive lá na última semana, acompanhada do fotojornalista Renan Mattos, para conferir de perto o andamento da reforma na mais tradicional casa de espetáculos do Rio Grande do Sul — e fiquei impressionada com o que vi.
As obras estão andando, com operários atuando em diferentes frentes. A estrutura montada para os trabalhos chama a atenção pelo cuidado e pela grandiosidade. Lá em cima, restauradores irão revitalizar a pintura do forro — executada pelos artistas Plínio Bernhardt, Léo Dexheimer, Danúbio Gonçalves e Carlos Mancuso no início dos anos de 1980.
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No meio dos suportes de ferro, a dois metros do teto, uma caixa de madeira de oito metros de largura por oito de altura protege o famoso lustre de 30 mil cristais, 96 lâmpadas e 600 quilos. Outros 13 caixotes resguardam os demais candelabros, sob os cuidados de profissionais especializados em construções históricas.
O teatro está vivendo uma revolução - e vai renascer mais bonito, seguro, funcional e acessível do que nunca. É a maior obra desde a grande revitalização comandada por Eva Sopher (1923-2018) entre 1975 e 1984, que salvou o São Pedro das ruínas.
Com investimento de R$ 23 milhões do governo do Estado, o objetivo, agora, não é mais “salvar” o prédio (que está em boas condições), mas adequá-lo às normas de prevenção de incêndio e acessibilidade, antigas demandas.
Tudo está sendo refeito sem alterar as características originais, mas com adendos importantes, como a instalação de um elevador até o foyer, coisa que não existia antes. As poltronas receberão tecidos anti-chamas (com a mesma estampa) e as paredes, tinta resistente a altas temperaturas.
Estamos com várias frentes de trabalho. A obra está andando rápido agora.
ANTONIO HOHLFELDT
Presidente da Fundação Theatro São Pedro
Se tudo der certo, a primeira etapa do projeto (hall, chapelaria, foyer e café) será entregue em 27 de março de 2026, Dia Mundial do Teatro. O restante deve ficar pronto até o fim do ano que vem.
Cargos e funções

Enquanto as obras avançam, Antonio Hohlfeldt trabalha nos bastidores para que o governo do Estado envie à Assembleia Legislativa, o quanto antes, projeto de lei voltado à reetruturação de cargos e funções da Fundação Theatro São Pedro.
Hohlfeldt considera a atualização fundamental para o futuro próximo e disse que já obteve sinalização positiva do governador Eduardo Leite.
— O atual plano de cargos e funções é de 1974. Não cabe mais para um teatro que hoje é três vezes maior (incluindo todas as estruturas do recém-inaugurado Multipalco Eva Sopher, como o Teatro Simões Lopes Neto e o Teatro Oficina Olga Reverbel). Quando o São Pedro reabrir, corremos o risco de ter de fechá-lo por falta de pessoal — afirma Hohlfeldt.






