É de Pelotas a composição que vai representar o Rio Grande do Sul na disputa pelo samba-enredo da Portela no Carnaval 2026. A fase nacional começa em 14 de setembro, com a grande final prevista para o dia 26, na quadra da escola carioca, em Madureira, no Rio de Janeiro.
Será a primeira vez na história que a figura de um homem negro que viveu em Porto Alegre — chamado Custódio Joaquim de Almeida, conhecido como Príncipe Custódio — ganhará visibilidade nacional na Sapucaí, assim como a negritude gaúcha. A escolha foi alvo de polêmica no Estado e levou o governador Eduardo Leite a desistir de apoiar financeiramente o desfile, mas a escola manteve a decisão.
O destaque transcende o personagem: de forma indireta, joga luzes sobre uma população historicamente invisibilizada. É uma vitória contra o preconceito, que, infelizmente, não teve debate à altura do que merecia no ambiente político do RS.
O samba gaúcho

Criado por Daiane Molet, Anderson Xilico, Chico Professor, Fagner Presidente, Fred Feijó, Marcéle Salles e Maninho Veiga, o Samba dos Lanceiros venceu a seletiva gaúcha na quadra da Imperadores do Samba, no último domingo (7).
A etapa regional teve nove composições. Após duas classificatórias, nos dias 24 e 31 de agosto, quatro sambas chegaram à decisão. A escolha foi feita por representantes da Portela, que acompanharam de perto as apresentações.
Com a vitória, os pelotenses garantiram vaga direta na fase nacional, que começa em 14 de setembro, com apresentação na Chave Única, equivalente às quartas de final. A semifinal está marcada para o dia 21 e a grande final para 26 de setembro.
Além da classificação, o grupo recebeu o convite para integrar a ala de compositores da Portela, considerada a mais tradicional do país. É uma grande honraria.
— Foi uma baita surpresa. Nunca imaginávamos isso — celebra Fred Feijó, que também é jornalista no Grupo RBS.
Expressões regionais
O samba gaúcho se destacou pelo uso de expressões regionais como pago, querência, rincão, peleia e entrevero, acompanhadas de um glossário entregue à escola para auxiliar o público carioca.
A gravação foi feita em sua maioria no Rio Grande do Sul, com participação de um gaiteiro, outra inovação. Apenas a voz do intérprete Igor Sorriso, foi registrada em São Paulo, ao lado do gaúcho Renan Ludwig.
— Somos de Pelotas, uma terra carnavalesca, e é um orgulho imenso representar o Rio Grande do Sul no Rio de Janeiro. Levar nossa cultura para a Portela é uma conquista histórica — afirma Daiane Molet.
A obra concorre para ser o hino oficial da escola em 2026. No desfile, a Portela levará para a Marquês de Sapucaí o enredo O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande, que homenageia Custódio Joaquim de Almeida, o Príncipe Custódio, celebrando a ancestralidade negra e o Batuque no Rio Grande do Sul.





