Foi um evento fechado, para poucos, com combinações prévias: sem perguntas, sem selfies, sem autógrafos. Gilberto Gil queria apenas apresentar seu novo livro, o songbook Tempo Rei, que reúne cifras, letras e imagens de sua turnê despedida. O show chega a Porto Alegre neste sábado (6), no Estádio Beira-Rio.
O lançamento inédito teve como palco o Instituto Ling, na noite chuvosa e fria da última quinta-feira (4). Estive lá e gostei do que vi: um Gil bem-humorado e disposto, apesar do baque da perda da filha, Preta, em agosto, e do cansaço da viagem (havia acabado de chegar). O espetáculo na capital gaúcha marcará seu retorno ao palco. Gil queria falar sobre a turnê e o livro, que é um apanhado de tudo e acaba de sair do prelo.
— Com esse livro, a minha obra passa a ser dos outros, da memória coletiva. Mas, ela não deixa de ser minha. Eu componho e canto pra mim mesmo. A pessoa que mais me interessa como público sou eu, mas, sem negar espaço aos outros. Então, a minha obra ocupa dois espaços, um no meu próprio coração e outro no coração dos outros — refletiu o cantor.
Ao lado dele, estavam Flora, sua companheira e empresária, os filhos Bem e José, que integram a turnê, e o diretor artístico Rafael Dragaud (que também é da família: foi casado com Preta). O bate-papo foi mediado pelo designer e artista visual Daniel Kondo, parceiro de Gil em projetos editoriais. Estava tudo em casa, portanto. O evento durou pouco mais de uma hora, cheio de inspiração e memórias.
— Quando eu era criança, eu tinha um fragmento de sonho, ambição, desejo e expectativa, eu queria ser ‘musgueiro’ (musiqueiro) e pai de menino. Fiz oito filhos e mais de 600 canções. Acho que tá bom, né? — brincou Gil, arrancando risadas do público presente, formado por escritores, artistas, jornalistas e psicanalistas, entre outros convidados.
Ao final, Gil saiu para descansar no hotel. Afinal, um grande show vem aí.
Sobre o livro
Lançada pela Gege Edições, a publicação de 96 páginas estará à venda por R$ 150 para o público durante todos os próximos shows da turnê, começando por Porto Alegre.
— O songbook é celebração. Trinta canções e as imagens da turnê que contam a vida de Gil e seguem vivas, atravessando décadas e se renovando a cada escuta. O livro é um presente para quem veio antes e para quem ainda está por chegar — resumiu Daniel Kondo, que assina a capa, o projeto gráfico e a edição de arte da obra, ao lado de Adriana Fernandes.
A publicação ainda conta com coordenação editorial de Flora Gil e Eveline Alves. A transcrição das cifras foi feita por Otávio Granjeiro, com revisão harmônica de Sérgio Chiavazzoli e supervisão musical da Chiavazzoli Produções e Eventos Musicais. A pesquisa iconográfica é de Juliana Amorim.

Seleto grupo de convidados
O pequeno grupo de convidados do Instituto Ling para o lançamento do livro de Gil incluiu nomes da arte, da cultura, da comunicação e da psicanálise gaúcha. Estavam lá a patrona da Feira do Livro, Martha Medeiros, o cineasta Jorge Furtado, os jornalistas Tânia Carvalho e Eduardo Bueno (Peninha), os psicanalistas Diana e Mário Corso, o cantor Gelson Oliveira e muito mais. Em dado momento, antes de Gil chegar, alguém disse, brincando:
— Se o Gil por acaso não aparecer, não tem problema. Isso aqui já virou uma chacrinha!
José e Pedro
O momento emocionante da noite ficou por conta de José, filho caçula de Gil, baterista da turnê. Ele lembrou de Pedro, seu irmão mais velho, morto em um grave acidente de carro em 1990. Pedro também era baterista.
O mediador
Daniel Kondo, que mediou o bate-papo exclusivo com Gil, é gaúcho de Passo Fundo. É um dos ilustradores mais premiados do Brasil - inclusive com o badalado Prêmio Jabuti. Conheceu Flora Gil pelas redes sociais e virou amigo e parceiro da família e projetos editoriais.






