Em 2026, a gaúcha Deise Nunes completará quatro décadas de reinado como primeira mulher negra a receber a coroa, o cetro e a faixa de Miss Brasil, mas as comemorações começam antes. Em novembro deste ano, a vencedora do mais glamouroso concurso de beleza nacional será homenageada com uma exposição em São Paulo, onde tudo aconteceu.
Deise foi precursora. Como ela própria costuma dizer em entrevistas, entrou na passarela vestindo “armadura”. Não foi fácil superar o preconceito, mas Deise conseguiu e, em 20 de maio de 1986, já coroada, foi recebida com festa em Porto Alegre.
— O ano de 1986 mudou para sempre a minha vida. Jamais vou esquecer. Estou remexendo meus arquivos para as celebrações e estou vivendo tudo outra vez — conta Deise, que mantém uma escola de modelos e atua na assessoria de gabinete da vereadora Cláudia Araújo em Porto Alegre.
A ideia partiu de um amigo de longa data, o produtor cultural Carlos Romero, gaúcho radicado há 40 anos na capital paulista.
— Conheço a Deise desde aquela época. Ela merece ser lembrada e reconhecida. É um super projeto, que terá exposição e o lançamento de um livro. Já estamos trabalhando nos detalhes e captando apoios e patrocínios — diz Romero, em busca de parceiros.
Com fotos históricas, antigos recortes de jornais e revistas e as roupas e adereços usados por Deise no concurso, a mostra será aberta em 28 de novembro na Galeria Prestes Maia, espaço artístico e cultural na Sé, em São Paulo.
De lá, a intenção é que siga para Salvador (BA), Rio de Janeiro e Belém (PA), ficando um mês em cada lugar e terminando em Porto Alegre, terra natal de Deise, no ano que vem.
— Vai ser importante relembrar, não só porque foi importante para mim, mas também como um alerta. O racismo, infelizmente, segue presente na nossa sociedade. Depois da minha vitória, tivemos apenas outras duas meninas negras vencedoras do Miss Brasil, sendo que a última foi em 2017. Isso precisa mudar — diz a eterna rainha.

