Nasceu. A sede do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS) no 4º Distrito de Porto Alegre está, finalmente, de portas abertas. A obra começou em janeiro de 2024, com investimento de R$ 5 milhões do governo do Estado, e agora é um novo legado para a cultura.
Estive lá para acompanhar a inauguração, nesta quinta-feira (14), e vi de perto o resultado. É um espaço amplo, de 2,3 mil metros quadrados, onde no passado funcionava um depósito de veículos do Detran.
De cara, a abertura de vidro escancara o acesso ao prédio já na calçada (a entrada é gratuita). No salão de exposições (de pé direito alto e paredes alvas), a primeira instalação artística em exibição no local impacta: é uma obra gigante (mesmo) que remete à enchente (leia mais abaixo).
Veja o vídeo do local
No pátio, a surpresa é ao ar livre: dois bondes de 1927 (em fase de revitalização) atraem o olhar. Eles serão usados para atividades educativas e parecem estar prontos para partir a qualquer momento.
Ao redor, um jardim com espelho d’água exibe esculturas de Vasco Prado e Patricio Farías. O espaço ainda receberá mobiliário e paisagismo. Há um pergolado sob uma figueira centenária, onde vai funcionar uma cafeteria - operada pela turma do Lola Bar (a mesmo da Casa de Cultura Mario Quintana).
— Estamos entregando o MACRS como ele e a população merecem: na primeira fila. É uma alegria imensa — diz Adriana Boff, diretora do museu.
À frente da Secretaria de Obras Públicas, Izabel Matte também celebra a conclusão do projeto, que era demandado pelo setor artístico e cultural havia mais de três décadas.
— É um espaço grandioso — destaca a secretária.
A obra de Nuno Ramos
É do artista Nuno Ramos, de São Paulo, com curadoria de André Severo, a primeira instalação exibida no MACRS.
São três casas em tamanho real que parecem afundar na lama. Paredes e telhas são feitas de areia, e o líquido viscoso no piso foi criado em parceria com uma empresa especializada em tintas.
Para compor a obra, 11 toneladas do produto foram enviadas de SP. O líquido em cores distintas será reposto a cada 15 dias, para manter viva a sensação de “afogamento”.
— É uma honra abrir o museu, ainda mais pela obra escolhida. É um trabalho que toca em algo muito delicado — diz Nuno, que esteve em Porto Alegre logo após a enchente de 2024 e viu de perto o impacto da catástrofe.
Como visitar
- O museu funciona de terças a sextas das 12h às 18h e aos sábados e domingos das 10h às 18h, com entrada franca.
- Fica na Rua Comendador Azevedo, 256, bairro Floresta, em Porto Alegre.
Tour inclusivo e música no primeiro sábado
Neste sábado (16), haverá uma série de atividades no local, ligadas ao Dia Estadual do Patrimônio Cultural.
Estão previstas visitas mediadas inclusivas a partir das 14h e uma apresentação musical da Orquestra Jovem do Theatro São Pedro às 17h.
O local conta com recursos de acessibilidade como mapa e maquete tátil, imagens bidimensionais e tridimensionais adaptadas ao tato, pictogramas, audioguia e textos em fonte ampliada e em Braille.
Quem viabilizou
O investimento do governo do Estado, via Secretaria da Cultura, deve chegar a R$ 5 milhões, incluindo a obra, as mobílias e o restauro dos bondes.
A obra também tem a parceria da associação de amigos do MACRS, liderada por Maria Fernanda Santin, e de uma série de patrocinadores via leis de incentivo: Itaú (com patrocínio master), Vulcabras, Tintas Killing e Alibem, com apoio de Trinca e TecBril.
O projeto executivo é do arquiteto Tarso Carneiro, da AT Arquitetura, o paisagismo é de Christine Loro e Eduardo Assmann e o projeto de mobiliário e da praça frontal (junto à calçada) é da arquiteta Izabela Pagani. Os bondes são restaurados pelo escritório Studio 1 Arquitetura, liderado pelo arquiteto Lucas Volpatto.
A nova marca e comunicação visual foram criados pela Casa CC.





