Depois de passar pelo Museu de Grenoble, como parte da Temporada Brasil-França 2025, uma bela exposição dedicada a José Antônio da Silva (1909-1996), o Van Gogh brasileiro, chega a Porto Alegre. Com 44 obras de coleções públicas e privadas, a mostra Pintar o Brasil será inaugurada neste sábado (9) na Fundação Iberê.
Estive lá nesta semana, para acompanhar a montagem, conversar com o curador, o espanhol Gabriel Perez-Barreiro, e conhecer o trabalho do pintor paulista, celebrado pela arte naïf, primitiva, outsider e visionária.
É tudo isso e mais um pouco.
As telas exibem plantações de café e algodão, queimadas na mata, rebanhos sob a tempestade, alegorias religiosas surrealistas e autorretratos provocativos.
Autodidata e filho de lavradores, ele ganhou fama em meados do século 20, quando caiu nas graças da crítica e brilhou na Bienal de Veneza. Depois, por essas coisas inexplicáveis do destino, mergulhou no ostracismo. Está sendo redescoberto.
— A comparação com Van Gogh é interessante, porque este também ficou fora do mainstream, tratado como louco por muitos em sua época. Há semelhanças entre eles, e a obra de Silva, que andava meio esquecida, segue muito atual. Há um interesse renovado pela arte popular, caipira, e ele é um de seus expoentes — diz Gabriel.

Serviço
- A exposição José Antônio da Silva: Pintar o Brasil abre neste sábado (9) às 14h na Fundação Iberê (Avenida Padre Cacique, 2000 – Cristal) e vai até 2 de novembro.
- A visitação é sempre de quinta a domingo 14h às 18h (última entrada).
- Dica: neste primeiro fim de semana, a entrada é franca.

