Fechado no fim de março para reforma, o Theatro São Pedro está vivendo uma revolução — e vai renascer mais bonito, seguro, funcional e acessível do que nunca.
Estive lá nesta semana, em uma visita exclusiva aos bastidores da obra, acompanhada da fotojornalista Camila Hermes. Compartilho o que vi.
Primeiro sentimento: é histórico o que está sendo feito lá. Trata-se da maior reformulação desde a grande revitalização comandada por Eva Sopher (1923-2018) entre os anos de 1975 e 1984, que salvou o teatro das ruínas.
Veja um vídeo exclusivo das obras
Mas agora é diferente. Como diz Antonio Hohlfeldt, sucessor de Dona Eva, a casa de espetáculos de 167 anos vive um novo momento, em boas condições e com investimento de R$ 23 milhões do governo do Estado.
Acompanhada de perto pelos arquitetos Helenice Macedo e Fernando Caetano, a obra atual não tem o propósito de "salvar" o prédio do desabamento (como no passado). O objetivo é outro: adequá-lo aos novos tempos e deixá-lo tinindo para os próximos 100, 200 anos, com tudo o que se pode imaginar de mais moderno em prevenção de incêndio e acessibilidade (antiga demanda).
— Estamos praticamente demolindo o teatro para que ele possa nascer de novo, sem perder as características nem a identidade — destaca Caetano.
Quando estive lá, na última terça-feira, o maior impacto foi caminhar pela plateia sem as tradicionais poltronas (restavam apenas três, que seriam retiradas na sequência). Elas retornarão aos seus lugares, porém forradas com tecido antichamas, com os mesmos padrões e cores.
O antigo carpete (que receberá igual cuidado) está sendo removido, a escadaria do foyer já foi desmontada (para dar lugar a um elevador e a uma nova estrutura) e os velhos banheiros ganharão melhorias e mais espaço.
O hall está coberto de lonas pretas e as entranhas do teatro (incluindo os camarins) passam por transformação inédita.
— Essa fase do projeto está mais lenta do que a gente imaginava, porque a remoção de tudo exige cautela. Imagina tirar 90 placas de homenagens das paredes? — exemplifica Helenice.
Os objetos estão sendo guardados e serão repostos. A maioria do material será reaproveitada ou ganhará novos usos.
Segundo Hohlfeldt, a previsão é de que a primeira etapa (hall e do foyer) seja entregue em 27 de março de 2026, Dia Mundial do Teatro. O restante da obra, incluindo o restauro do histórico painel que embeleza o forro do teatro, deve ficar pronto até o fim do ano que vem.
— Estou satisfeito com o andamento das obras. Será um marco histórico — destaca Hohlfeldt.
Ainda há muito pela frente, mas pode apostar: vai mudar para melhor.





