
A bola estava quicando — era só marcar e sair para o abraço. Pois a Feira do Livro de Porto Alegre chutou com classe e fez um golaço ao escolher Martha Medeiros, cronista de verve afiada e pena leve, como patrona de sua 71º edição.
Martha é unanimidade, aqui e fora do Rio Grande do Sul. É uma mulher ativa, no auge da carreira, com mais de um milhão de livros vendidos e obras transpostas para os palcos e as telas.
Ela tem fãs ilustres em todo o Brasil (atores, diretores, músicos, intelectuais) e um baita potencial para atrair visitantes como nunca.
O nosso tradicional evento literário merece Martha Medeiros, porque ela é pop.
Vinda da publicidade, ela é uma escritora capaz de fazer poesia ser lida de forma leve e fácil (a ponto de viralizar nas redes antissociais, com um texto brilhante, erroneamente atribuído a Pablo Neruda).
Vende livros feito água e escreve em jornais, como colunista de Zero Hora e O Globo. Transformou versos em músicas de grande sucesso (quem nunca ouviu Dentro de um Abraço, do Jota Quest?).
O fato é que Martha fala a língua de quem habita o mundo neste século 21 cheio de crises, dúvidas e insanidades. Ela ajuda a traduzir e dar sentido ao caos.
A essa grande autora porto-alegrense, só faltava mesmo a cereja do bolo: ser homenageada pelo evento do qual, nós, gaúchos, tanto nos orgulhamos.
Em diferentes ocasiões, ouvi de Martha uma mesma frase, repetida ano após ano:
— Sempre lanço um livro na Feira do Livro de Porto Alegre, porque amo. É onde gosto de estar.
Agora, ela estará mais presente do que nunca. Martha vai fazer história na Praça da Alfândega. Pode apostar.






