
Voz clássica da FM no Rio Grande do Sul, Mauro Borba, um dos fundadores da lendária Rádio Ipanema, conversou comigo no Perimetral Podcast, que vai ao ar a partir das 12h desta sexta-feira (18) no YouTube de GZH (veja abaixo).
O comunicador da 102.3 (à frente dos programas A Hora do Rush e Boys Don't Cry), Mauro falou sobre música, saudosismo, a relação com a capital gaúcha e as histórias pessoais com grandes artistas brasileiros, entre eles o saudoso Renato Russo (1960-1996).
Vocalista da banda Legião Urbana, o ídolo ganhou uma inusitada carona de Mauro na Porto Alegre dos anos de 1980. A seguir, leia esse trecho do bate-papo.
Veja o Perimetral Podcast na íntegra
Você conheceu todos os grandes ídolos do rock nacional, né? Herbert Vianna, Frejat, Renato Russo...
Todos. Entrevistei todos eles, né? Mais de uma vez, inclusive. Alguns até viraram amigos.
Quem virou teu amigo?
O Frejat, por exemplo. O Frejat eu entrevistei tantas vezes, no tempo do Barão Vermelho, que ele chegava já perguntando "como está o fulano e a fulana?". E tive alguns episódios marcantes. Com o Renato Russo, tive episódio um clássico. É uma história curiosa.
O que aconteceu?
Dei uma carona para o Renato Russo no meu carro, aqui em Porto Alegre. Era um Chevette, um carro bacaninha. Só que o meu carro estava sem o banco do carona, porque um colega meu queimou com cigarro, e eu tinha levado para arrumar. Por uns dois, três dias, eu andaria com sem o banco do carona, mas tudo bem, para mim estava tudo certo, só que naquele dia houve uma grande coincidência.
Qual?
A Legião Urbana foi dar entrevista na Rádio Ipanema (onde Mauro trabalhava), e o Renato curtiu muito a rádio e começou a olhar os discos. Ele ficou lá conversando com a gente. A banda foi embora, e ele disse: "vou ficar aqui". Eles tinham um compromisso no dia seguinte em Porto Alegre, e ele ficou lá, ficou toda tarde lá. Olhava os discos e pirava.
Já era o auge da Legião?
Não lembro o ano, mas a Legião já estava estouradíssima. Não era nem o primeiro disco, já era o segundo ou o terceiro. Eles já estavam tocando no Brasil todo.
E como terminou a história?
Eu fazia A Hora do Rush (programa clássico que hoje está no ar na 102.3) das 18h às 19h. Às 19h entrava a Voz do Brasil. Quando chegou a hora de ir embora, o Renato disse "também vou, então, se vai todo mundo embora".
Aí veio a carona no Chevette sem banco?
Eu disse: "cara, eu te dou uma carona", mas me dei conta que o meu carro estava sem um banco. Eu disse pra ele que tinha um problema. Além de eu não ter um carro para carregar um rockstar, meu carro estava sem banco. E ele: "Tá, mas tem outro banco atrás?" Eu disse que sim, que o banco de trás estava normal. Aí ele falou: "Ah, então vamos embora, azar". O Renato era muito despojado. Quando chegamos ao estacionamento, ele falou: "Mas vai ficar estranho eu ir sentado atrás, né?" Eu disse: "Pois é, vai parecer um táxi". Na época não tinha Uber (risos). Aí ele sugeriu sentar na frente mesmo, se apoiou com o braço na janela e se acomodou ali no lado, sem o banco, e foi dando risada. E eu carregando o Renato Russo. Imagina se eu tivesse filmado isso!
Não tem nenhuma foto, nada desse momento?
Nem foto tenho, porque não existia celular, não tinha esse negócio de fazer selfie toda hora. Era um outro mundo. Era a época, como disse o Kledir no show com o Kleiton e o Vitor Ramil no Araújo Vianna, era a época em que os dinossauros andavam sobre a terra. Deixei o Renato Russo na frente do hotel e fui embora pensando "que loucura isso!".



