Ginecologista e obstetra na Santa Casa e no Hospital Nora Teixeira, em Porto Alegre, Eduardo Maia Weiler gosta de trabalhar com música — e quem mais ganha com isso são suas pacientes. O médico já estimulou a criação de mais de 100 playlists por mamães (e papais) para marcar o nascimento de seus bebês.
Eduardo é adepto do parto humanizado, fruto de um movimento que vem se consolidando nos pré-natais e que ganha especial atenção no complexo hospitalar onde ele atua.
Entre as medidas adotadas para dar conforto e acolhimento às mulheres, estão o aquecimento da sala, a luz baixa (com direito a um "céu estrelado" projetado no teto), a presença do companheiro (ou da companheira) e, claro, a música.
— Os centros obstétricos têm caixinhas de som e, no começo, a gente mesmo escolhia o que tocar. Aí pensei: por que não pedir para as mães criarem seleções musicais para a ocasião ou perguntar o que elas gostariam de ouvir? — recorda Eduardo.
Deu mais do que certo. Quando o parto ocorre de surpresa (o médico também atua no plantão), ele questiona, sempre que possível, o que a futura mamãe quer escutar. Quando dá tempo de planejar (no caso das pacientes do consultório), a brincadeira vai mais longe.
Já teve playlist de reggae (com Bob Marley vibrando na caixa!) e até de música "de academia", nesse caso, escolhida por uma mãe "crossfiteira".
— Também têm muitos pais roqueiros que escolhem Beatles e Queen, por exemplo. Teve um casal que cantou a plenos pulmões uma letra do Cazuza. No SUS, percebo uma preferência maior pela música gospel, com canções de louvor — detalha o profissional de 47 anos, 20 deles na medicina.
Seja qual for o tipo de som escolhido, o fato é que a música acaba virando uma memória inesquecível para quem viveu a experiência.
— Algumas pacientes seguem comigo e costumam contar o seguinte: sempre que ouvem a canção do parto, elas se emocionam de novo. É muito legal. São lembranças de um dia especial que ficam para sempre — diz o médico.
E as playlists?
Perguntei ao dr. Eduardo se as playlists estão disponíveis nas plataformas de áudio. Ele conta que as seleções ficam com as pacientes. Então, aí vai uma sugestão: mamães, compartilhem!



