O que mais chama a atenção é o silêncio. Ou melhor: a ausência do burburinho urbano. Lá, não se ouvem buzinas nem o rugido dos carros. Ouve-se o som da natureza, vigorosa e única: o lugar é rodeado por morros cobertos de árvores. É um refúgio.
No centro, há um lago com patos e lambaris e um gramado bem aparado. Ao redor, uma hospedaria rústica (com um grande fogão a lenha no meio da sala) divide espaço com um galpão circular de pedra e madeira (que tem um impressionante telhado verde), onde é servido o café da manhã com “geleia de vó”. Logo ali, pertinho, fica o antigo galpão das ovelhas, transformado em galeria de arte. Na grelha, fumegando ao ar livre, a carne assa sem pressa.
Estou falando de um lugar chamado Monã.
Localizada na Linha São João, zona rural de Canela, na Serra, a propriedade de 130 hectares (60% mato) está há 20 anos aos cuidados do artesão Daniel Castelli, amante da vida campesina.
— Com o tempo, compreendi que o luxo está nas coisas mais simples e que o futuro está no passado. Buscava uma vida mais saudável e conectada ao que realmente importa. Encontrei tudo isso aqui — conta Daniel, que faz mágica com a madeira e exporta talento para o mundo todo (leia mais abaixo).
O local estava degradado, com tocos de eucalipto por todos os lados. Aos poucos, foi regenerado e se tornou um braço agroecológico da Castelli Escola Superior de Hotelaria, fundada por Geraldo Castelli. Aos 85 anos, o pai de Daniel continua sendo uma das maiores referências do setor no Brasil.
Hospitalidade e natureza
Com o tempo, a Monã deixou de ser escola para virar um projeto que une hospitalidade, cultura, gastronomia e natureza. O negócio é tocado por Daniel e por sua mulher, Aline Manea, e conta com pousada, trilhas e pomares, shows de blues, área para eventos, arte e restaurante raiz.
A gastronomia, aliás, é um capítulo à parte, sob o comando de Arika Messa. Detalhe: ela é uma das estrelas do programa Chef de Alto Nível, que estreou nesta semana na TV Globo.
Com comida de verdade e olho no olho (tão fora de moda hoje em dia), essa turma partilha o que tem de melhor com quem chega. As pessoas não se sentem clientes: sentem-se convidadas. Se você for, com sorte, será recebido pelo Sagu, o cachorrão dócil e surdo da casa.
De Canela para o mundo inteiro
Na marcenaria da Monã, Daniel Castelli produz peças que conquistaram admiradores na Europa, nos Estados Unidos e na América do Sul.
Usando nós de pinho, restos de cerca, árvores mortas, refugos de antigas madeireiras e peças certificadas, o artesão cria tábuas únicas. Elas têm formas assimétricas, são polidas com até 10 tipos de lixa e finalizadas com óleos naturais atóxicos. O resultado é surpreendente.
— Um senhor um dia me disse: “Faça algo que as pessoas levem na mudança”. É sobre isso — diz Daniel.
Não se trata de tábuas de churrasco. São objetos de arte, que foram exibidos, em abril deste ano, no FuoriSalone, da badalada Semana do Desgin de Milão. Algumas delas estão no acervo de uma xiloteca (espécie de museu da madeira) na Itália e renderam prêmios ao autor.
Trata-se de design autoral feito à mão, que celebra o que é genuíno e durável.
Como conhecer
Siga @monavivencia no Instagram. Lá, você encontra todos os detalhes. O WhatsApp é (54) 9919-3611.





