Uma baita homenagem a Mario Quintana — com uma exposição inovadora, sensível e sustentável — lança novas luzes sobre o poeta e sua obra.
Idealizada pela fotógrafa Dulce Helfer, que foi amiga e confidente do escritor, a experiência Quintana, Poesia em Movimento percorre três cidades gaúchas afetadas por enchentes: Lajeado, Rio Pardo e Porto Alegre.
A estreia foi na Universidade do Vale do Taquari (Univates), em Lajeado, no último dia 12. De lá, o projeto segue para o Centro Regional de Cultura de Rio Pardo, em 4 de setembro. O encerramento será em 2026, onde tudo começou: a Casa de Cultura Mario Quintana, antigo Hotel Majestic, na Capital, como parte das comemorações do aniversário de 120 anos do autor.
A mostra conta com 30 fotografias registradas por Dulce, algumas delas captadas na intimidade do poeta, algo que só ela conseguia. As imagens foram impressas em papel reciclado, um antigo desejo da autora.
— Eu corri atrás para dar certo. É a minha primeira exposição assim, por uma questão de consciência ambiental — diz Dulce.
Além das fotos, a mostra itinerante aposta na inteligência artificial para aproximar as novas gerações do legado de Quintana. Por meio da IA, uma imagem do escritor ganha voz e movimento, com a declamação de dois de seus poemas: Canção do dia de sempre e Carta desesperada. Para isso, são utilizadas gravações originais em vinil como base sonora.
— Usamos uma foto que fiz dele, e o resultado ficou muito legal. As pessoas adoram — conta a fotógrafa.
Ações educativas

Dulce também organizou ações educativas em escolas públicas atingidas pela enchente, com palestras e workshops de fotografia voltada para as redes sociais. A ideia é ajudar na qualificação de jovens e adolescentes.
Outro destaque é o Concurso de Poesia Mario Quintana, com inscrições online (veja os detalhes aqui), uma bela iniciativa.
Os textos, segundo Dulce, serão avaliados por uma banca de jurados composta por escritores, jornalistas e professores, coordenada pelo escritor Armindo Trevisan (que também foi amigo de Quintana e é um grande conhecedor de seus livros).
Em cada cidade, 10 poesias serão premiadas com certificados e camisetas, e os três primeiros lugares receberão prêmio em dinheiro.
— É uma forma de fazer com que as pessoas se lembrem do poeta. Não podemos deixar a memória dele se apagar. Poesia nunca foi algo tão necessário, em um mundo tão duro — reflete Dulce.
De algum lugar, Quintana sorri. O poeta deve estar orgulhoso.
Quem viabilizou
O projeto foi contemplado no Edital da Secretaria de Estado da Cultura nº 27/2024 – PNAB-RS – Artes Visuais. Recebeu financiamento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Pró-Cultura RS, do Instituto Estadual de Artes Visuais, do governo do Estado e do Ministério da Cultura, com apoio de Angel Produções e realização de Dulce Helfer Fotografia.





