Começou a restauração de um dos templos mais antigos do Rio Grande do Sul: a Igreja Nossa Senhora do Rosário, em Rio Pardo. O trabalho teve início pelo telhado, com investimento de R$ 1,98 milhão.
Construída no fim do século 18 e inaugurada em 1801, a edificação é tombada pelo patrimônio histórico e guarda um pedaço da história da colonização portuguesa no Estado. É uma das poucas que mantém preservadas as caraterísticas originais.
Projetada pelo engenheiro coronel Francisco João Roscio, que integrou a antiga comissão de demarcação de fronteiras, a estrutura tem sete altares de madeira de origem barroca. É um tesouro sacro.
— Estamos muito felizes com esse primeiro passo. Faz quatro anos e meio que estou à frente da paróquia e, graças da Deus, finalmente conseguimos avançar no restauro — celebra o padre Maurizan do Nascimento.
Assinado pelo arquiteto Edgar Bittencourt da Luz, o projeto envolve a revitalização de toda a igreja, do teto ao assoalho, e deve levar anos até ser concluído. Com apoio da Mitra Diocesana de Santa Cruz do Sul, a primeira etapa está sendo possível graças a recursos do Pró-Cultura RS.
— É um privilégio executar essa obra. A igreja é muito autêntica, e Rio Pardo é uma cidade rica em história. Temos muito trabalho pela frente — diz o arquiteto Lucas Volpatto, do Studio1 Arquitetura, que está fazendo o restauro.
O trabalho, que resolverá problemas de infiltração, tem aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) e da Mitra Diocesana de Santa Cruz do Sul, com gestão da Cult Assessoria e Projetos Culturais. A expectativa é de que leve pelo menos oito meses.
Tesouro a resguardar
O tombamento da igreja deve-se aos detalhes de sua arquitetura e ao acervo, incluindo o altar-mor e seis retábulos originais, com uma série de imagens religiosas.
O local exibe, ainda, pinturas murais internas feitas por especialistas italianos no século 19, com destaque para as imagens dos quatro evangelistas - Mateus, Marcos, Lucas e João, e de Maria e Jesus Cristo.
Há, também, uma imagem articulada, em cedro policromado, do Senhor Morto – Jesus Cristo na Cruz, de meados do século 19, além do mausoléu do Barão do Triunfo (monumento funerário onde esteve sepultado o General Andrade Neves, militar rio-pardense do século 19) e do batistério (espaço específico para a pia batismal antiga).




