
Após quatro meses de incertezas e sem recursos, uma importante obra federal será retomada no Rio Grande do Sul nas próximas semanas. O Ministério do Planejamento e Orçamento está destinando R$ 26,15 milhões para o término da construção da nova ponte do Guaíba, parada há cinco anos.
A portaria confirmando o recurso foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União desta terça-feira (1). O montante é bem inferior aos R$ 50 milhões prometidos em junho pelo ministro dos Transportes, George Santoro.
Na semana passada, o ministro dos Transportes, George Santoro, assinou a ordem de serviço, que garante o recomeço dos trabalhos, mas ainda faltava a destinação da verba.
O recurso ainda deve demorar alguns dias para ser liberado. No entanto, as empresas Cidade e Arteleste já poderão montar o canteiro de obras.
Alças restantes
Com este dinheiro, as construtoras terão fôlego suficiente para executar as obras até o final deste ano. Os trabalhos começarão pelas quatro alças da ponte que ainda faltam.
Para que a obra possa avaçar, foi necessário remover famílias que moravam na região. Das 636 casas que precisam ser retiradas, restam ainda 44, que não impedem a realização dos trabalhos.
A alça para quem sai da Avenida Castello Branco e vai para Eldorado do Sul é a principal (veja o mapa abaixo). O contrato prevê também o acesso de quem vem de Gravataí pela freeway e vai para o Humaitá; a alça de quem vem de Eldorado do Sul e vai para o mesmo destino; e a alça de quem sai do Humaitá e vai para Eldorado do Sul.
A expectativa do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) é que este serviço seja concluído em aproximadamente um ano. Ou seja, sair do centro de Porto Alegre em direção à zona sul do Estado pela nova ponte deverá ser possível a partir de setembro ou outubro de 2027.
Outras obras
Além da construção das quatro alças, o novo contrato irá prever mais duas novas intervenções. A primeira delas é um acesso de entrada e saída na região da Ilha Grande dos Marinheiros. A enchente de 2024 evidenciou a dificuldade dos moradores para deixar a localidade, justamente pela falta de ligação com a travessia.
O Dnit também planeja a construção de defesas em torno dos pilares da estrutura dentro do Rio Jacuí. Essas estruturas servem para proteger a travessia da colisão de embarcações.
A construção necessita de R$ 524,93 milhões para ser finalizada. Ao todo, os trabalhos devem durar três anos.
Histórico
A obra da nova ponte foi iniciada em 2014. Contratualmente, havia previsão de que fosse concluída em 2017. Ela foi inaugurada parcialmente em 2020. Até agora, foram investidos R$ 769 milhões na construção.
Em 2021, o governo federal incluiu a obra em um estudo de nova concessão. Somente em julho de 2024, o Dnit voltou a assumir o término da construção.
A União ainda pretende repassar a nova ponte, assim como a BR-290, para a iniciativa privada. Quando isso ocorrer, o Dnit seguirá responsável pelo término dos trabalhos, enquanto a concessionária vencedora assumirá a manutenção da estrutura.

