
Depois de anos de tratativas frustradas, a negociação envolvendo o Grêmio, a Karagounis e a OAS 26 para a troca de chaves entre Arena e estádio Olímpico está, novamente, bem próxima de um desfecho positivo. As conversas ganharam intensidade em julho vêm sendo acompanhadas pela coluna desde então, com alguns integrantes da negociação.
Não há um prazo cravado para o acordo, mas há otimismo de que o anúncio ocorra ainda em agosto. Outra possibilidade é que a novidade seja divulgada às vésperas do aniversário de 123 anos do Tricolor — plano que pode mudar caso novas tratativas sejam necessárias.
O avanço ocorre porque a OAS 26, que antes impunha barreiras ao acordo, demonstrou maior flexibilidade. Além disso, o Grêmio está mais aberto a dividir responsabilidades, embora ainda não esteja definido se, nesta situação, o clube aportará recursos financeiros — hipótese sempre descartada pelo Tricolor até agora.
Seis pontos foram identificados como pendentes (veja a lista abaixo) e envolvem cerca de R$ 110 milhões. A coluna não obteve o detalhamento de todos os itens em razão do sigilo da negociação, mas identificou cinco das questões em aberto.
Apesar da confidencialidade, a coluna apurou que já existe consenso sobre os temas. O assunto foi levado recentemente à avaliação do Conselho de Administração do Tricolor, com a participação do presidente Odorico Roman. Na ocasião, houve consentimento com o que está sendo tratado.
— Esta é a melhor negociação que já se teve. Está nas mãos do Grêmio resolver agora — diz um integrante da transação.
As partes tratam agora da redação do documento de permuta para a troca das chaves. Em tentativas anteriores, o recuo de uma das partes travava a negociação. A direção gremista entende que, se o acordo não for selado agora, a próxima oportunidade pode demorar anos e envolverá uma câmara arbitral.
Pontos em aberto
- Demolição do estádio Olímpico = R$ 30 milhões
- Obras do entorno da Arena = R$ 65 milhões
- Obras no entorno do estádio Olímpico = R$ 10 milhões
- Dívida de ITBI = R$ 17 milhões
- Dívida de IPTU = R$ 6,6 milhões
1) A empresa Metha havia ficado responsável por limpar o terreno da Azenha, mas não quer mais fazê-lo. Até agora, tanto Grêmio quanto Karagounis e OAS 26 não aceitam se responsabilizar pela demolição.
2) As obras no entorno da Arena estão avaliadas em R$ 65 milhões, conforme decisões judiciais recentes. A obrigação de execução deve ser convertida em indenização financeira. Ou seja: em vez de realizar as melhorias, o responsável repassará o valor. Se a decisão for mantida, caberá à prefeitura e ao Ministério Público cobrar a Metha — atualmente em recuperação judicial. A principal intervenção é o prolongamento da Avenida A. J. Renner, além da conclusão da duplicação da Avenida Padre Leopoldo Brentano (no trecho entre a Voluntários da Pátria e a A. J. Renner).
3) Trata-se de um ponto apurado recentemente pela coluna. Após a troca de chaves, OAS 26 e Karagounis dividirão a posse do terreno do Olímpico. Além dos empreendimentos imobiliários previstos, será necessário abrir ruas e praças. A infraestrutura para essas áreas públicas exige R$ 10 milhões, valor que passou a integrar a mesa de negociações.
4) A OAS 26 acumula um débito de R$ 17 milhões com a prefeitura, referente ao Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) da transferência de parte do terreno da Arena. A empresa condiciona o fecho do negócio à anistia dessa dívida.
5) Há também uma cobrança judicial de IPTU movida pela prefeitura contra o Grêmio pela área do estádio Olímpico. O montante em aberto gira em torno de R$ 6,6 milhões.
Solução até 2034
Até dezembro de 2033, o Grêmio é o único responsável pela gestão da Arena. No entanto, a partir de janeiro de 2034, a gestão do estádio é automaticamente transferida para os proprietários do complexo do Humaitá., que hoje são a Karagounis e a OAS 26.





