
Dois anos depois da última tentativa, um novo aeroporto para a Região Metropolitana de Porto Alegre volta a ganhar atenção. Os idealizadores se articulam para reapresentar o projeto ao governo federal nos próximos dias.
Segundo o coordenador do Comitê Pró-aeroporto 20 de Setembro, Nelson Riet, a proposta está mais consistente. A ideia é que o interessado em desenvolver o projeto compre o terreno, realize as obras e administre o terminal.
— No Salgado Filho, estamos reféns de uma pista. Se ocorrer qualquer acidente ou interdição nela, o Rio Grande do Sul para novamente. Se tivermos uma pista alternativa, estaremos mais preparados, pensando no futuro. Não queremos que o governo ponha dinheiro. Queremos convencer o governo sobre o projeto — explica Riet, ex-piloto da Varig.
A proposta é que o novo aeroporto seja um complemento ao de Porto Alegre e não um concorrente. Ele será projetado para receber aviões cargueiros. A ideia é começar com uma pista de concreto, com 3.500 metros de comprimento e 60 metros de largura. No futuro, outras três pistas seriam construídas.
A necessidade surge porque, na avaliação do coordenador, o aeroporto Salgado Filho está perto do seu limite, pois recebe 128 dos 140 pousos diários planejados. A proposta busca preparar o Rio Grande do Sul para o futuro. De acordo com Riet, por ser de asfalto, a pista do Salgado Filho não permite que aviões cargueiros decolem com carga máxima de Porto Alegre.
— Um avião cargueiro tem de tirar de 20 a 30 toneladas de carga para decolar do Salgado Filho daqui para a Europa. O piso do Salgado Filho é de asfalto flutuante e não de asfalto físico (de concreto) — ressalta o coordenador.
Nem mesmo a construção do aeroporto de Vila Oliva, em Caxias do Sul, atrapalharia o plano, pois, na avaliação do coordenador, o novo terminal da Serra tem foco maior no turismo, com pouco transporte de carga.
— Não se faz um aeroporto da noite para o dia. Leva cerca de 10 anos para ser construído. E ele pode começar só com uma pista longa e ser ampliado no futuro — explica Riet.
O ex-deputado Beto Albuquerque (PSB), pré-candidato à Câmara dos Deputados, tem auxiliado o grupo. Ele será o responsável por construir uma agenda, em breve, no Ministério de Portos e Aeroportos.
— Ninguém quer substituir o Salgado Filho. O que queremos é ter um aeroporto de cargas que possa competir com São Paulo e não com o Salgado Filho, que tem capacidade reduzida para cargas de grande porte — ressalta Albuquerque.
Onde ficaria
O local escolhido para sua construção fica a 11 km da BR-386. A área privada tem 21km². Ela já foi declarada de utilidade pública. No pico da enchente do Salgado Filho, o terreno se manteve sem alagamento, segundo os idealizadores do projeto.
O projeto prevê que o aeroporto teria um sistema de auxílio ao pouso e decolagem superior ao que existe no Salgado Filho. Chamado de ILS-CAT III, o sistema permite a operação com total segurança, em qualquer condição climática.
Fraport se posiciona
Antes mesmo da reunião ocorrer, a CEO da Fraport Brasil, Andreea Pal, enviou uma carta ao Ministério de Portos e Aeroportos, enfatizando que o Salgado Filho tem capacidade de ampliação, com potencial de mais do que dobrar o número de passageiros transportados na estrutura atual. Além disso, o terminal de cargas não está nem na metade da sua capacidade.
"Após os investimentos feitos pela Fraport Brasil, a infraestrutura aeroportuária passou a ter capacidade para atender à demanda projetada até o final da concessão, sem quaisquer restrições, inclusive à operação de aeronaves cargueiras. O aeroporto tem capacidade inclusive para atender aeronaves comerciais maiores, utilizadas em voos internacionais e para alto volume de cargas", diz trecho do documento enviado em junho ao governo federal.
Tentativa anterior
Em 2024, após a enchente, o Comitê Pró-aeroporto 20 de Setembro apresentou proposta ao governo federal. Na ocasião, a Secretaria Extraordinária de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul ficou de avaliar o tema, mas o assunto não avançou.





