
Nesta quinta-feira (16), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) promoveu a primeira audiência pública da futura concessão de ferrovias do Sul. O encontro de quase cinco horas foi realizado em Brasília, com transmissão ao vivo.
Mais de 80 interessados se inscreveram para falar. Destes, 30 trouxeram opiniões sobre o edital que será construído. A coluna acompanhou as discussões. E o alinhamento dos representantes políticos e empresariais do Paraná foi o que mais chamou a atenção.
A região se organizou para participar, trouxe sugestões e cobrou do governo federal investimentos em trechos e obras que não estão previstos. Como resposta, ouviu dos representantes da ANTT que todas as contribuições serão avaliadas.
O secretário de Transporte e Logística do Rio Grande do Sul, Clóvis Magalhães, e o secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Ivan Amaral, também falaram no evento. E voltaram a criticar o fato de que alguns documentos da concessão ainda estão sob sigilo. Também reforçaram que o ideal seria que o atual debate esperasse por até dois anos — Magalhães garante que os resultados estarão disponíveis em no máximo seis meses — para que um estudo comprove que a concessão não deveria ser dividida por lotes, como o governo federal está propondo.
Além deles, poucos catarinenses e gaúchos — nenhum deputado ou senador — se manifestaram, demonstrando que faltou engajamento. Para piorar, os representantes paranaenses se manifestaram favoráveis à divisão da concessão por trechos — como defendeu o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, João Arthur Mohr. Eles também disseram ser favoráveis à proposta de aporte externo para os trechos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, se, primeiro, ocorrerem os investimentos necessários no seu Estado.
Embora o superintendente de concessão de infraestrutura da ANTT, Marcelo Fonseca, tenha afirmado que o leilão não será feito de forma açodada, é notório que o governo federal irá colocar a atual proposta adiante, fazendo ajustes, se necessário.
No final de julho, cada um dos três Estados receberá uma nova audiência pública. No Rio Grande do Sul, o encontro ocorrerá no dia 29, em Porto Alegre. Que os gaúchos não percam a oportunidade de se manifestar agora. Depois, com o contrato em vigor, será tarde para pleitear alterações que definirão os próximos 30 anos no setor ferroviário.
Malha Sul
A nova proposta prevê três corredores ferroviários independentes, que somam mais de 4.200 quilômetros. O Corredor Paraná–Santa Catarina, com cerca de 1.500 quilômetros de extensão, concentra aproximadamente 78% da movimentação da Malha Sul.
Já o Corredor Rio Grande, com cerca de 880 quilômetros, conecta o noroeste gaúcho ao Porto de Rio Grande. Para viabilizar sua implementação, haveria o aporte de R$ 1,45 bilhão da compensação do Corredor PR-SC.
Por fim, o Corredor Mercosul possui 1.865 quilômetros de extensão e liga São Paulo até a fronteira com a Argentina, passando por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para possibilitar sua implementação, foi considerado aporte externo, do lote paranaense, de R$ 3,44 bilhões.



