
A dívida que o Internacional tem com o empresário Delcir Sonda ganhou um novo capítulo. A 6ª Vara Cível de Porto Alegre abriu caminho para que o clube gaúcho ofereça um imóvel seu como garantia.
Segundo entendimento da juíza Fabiana Zaffari Lacerda, a cobrança foi suspensa porque o Inter ofereceu um bem como garantia suficiente para cobrir o valor da dívida. Dessa forma, o Parque Gigante e o Centro de Treinamento (CT) do Colorado podem ser avaliados para penhora.
"Atribuo efeito suspensivo à execução, uma vez que garantida a execução por oferecimento de bem à penhora suficiente, conforme o disposto no art. 919, § 1º, do CPC (matrícula do imóvel: ev. 1.6)", diz trecho da decisão de sexta-feira (3) da magistrada.
A ação foi ajuizada em julho do ano passado. Em 2018, Sonda emprestou R$ 2,69 milhões para o Colorado, que deveria quitar a dívida até julho de 2020.
O montante devido já chega a R$ 10,37 milhões em valores atualizados. O Inter busca contestar a dívida atual sob alegação de que o valor é maior do que o devido, questionamento que não foi aceito pela Justiça.
Entenda o caso
Parceiro antigo do clube em investimentos, Delcir Sonda entrou com ações na Justiça e cobra do Inter cerca de R$ 60 milhões em dívidas. O valor está dividido em quatro causas distintas – uma delas é referente à contratação do meia D'Alessandro, que ocorreu em 2008.
A DIS Esportes, empresa que tem Delcir Sonda como um dos sócios, tinha 50% dos direitos do meia argentino, que encerrou seu contrato com o Inter em 2020 e foi para o Nacional do Uruguai. Com a saída sem custos, a dívida ficou para o clube gaúcho.
A DIS repassou o direito à dívida a duas empresas, ambas também de Sonda. Elas entraram com ações para cobrar os valores. A dívida inicial era de R$ 18 milhões, mas as duas cobranças corrigidas e acrescidas de multas somam R$ 30 milhões atualmente.
Outras duas ações são referentes a empréstimos feitos por Sonda para as diretorias coloradas, de R$ 2 milhões e R$ 10 milhões. Os valores corrigidos foram para R$ 10 milhões e R$ 20 milhões, respectivamente. Assim, a soma chega aos R$ 60 milhões.
Mais dívidas
Em março de 2026, a 18ª Vara Cível de Porto Alegre havia negado pedido do Inter sobre outra dívida. O clube tinha ofertado o Parque Gigante, incluindo seu CT, como garantia em juízo na ação movida pelo empresário Pablo Leclerc Fluxa. Ele cobra R$ 700 mil, entre honorários e juros, por seu trabalho na contratação de Carlos Palácios em 2021.
O magistrado entendeu que o Parque Gigante e o CT possuem diversas dívidas anteriores registradas. Dessa forma, o imóvel não garante o pagamento da dívida, caso o Inter perca a ação.





