
A malha ferroviária do Rio Grande do Sul foi abandonada pelos governos e pela empresa responsável pela concessão. A constatação é do ministro dos Transportes, George Santoro.
— Os governos abandonaram a malha do Rio Grande do Sul. A Rumo abandonou o Rio Grande do Sul. Então, ela priorizou o Paraná. E aí, quando ela priorizou o Paraná, a malha do Rio Grande do Sul foi destruída — avaliou Santoro, em entrevista à coluna.
Na atual concessão, a malha ferroviária gaúcha encolheu 75%. Além disso, foi o único modal a não receber recursos públicos após a enchente de 2024. Já a Rumo retirou trilhos do Rio Grande do Sul e os levou para Santa Catarina e Paraná, como mostrou a colunista Giane Guerra.
No entanto, essa realidade está prestes a mudar. Segundo Santoro, a nova concessão entregará uma rentabilidade de 15% acima da inflação aos vencedores do leilão.
A consulta pública da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) está ouvindo sugestões. E é ela que irá definir quando a disputa será realizada. A avaliação do ministro é que o leilão ocorra entre dezembro e fevereiro de 2027.
— Quem está no Paraná não quer que eu pegue o dinheiro que sobrar e coloque no Rio Grande do Sul. Então, tem essa questão regional muito intensa. Temos que ouvir todos para melhorar o projeto. A ideia da consulta pública é corrigir algumas imperfeições na fase de modelagem — explica Santoro.
A ideia do governo é que essa nova concessão integre o Rio Grande do Sul com as malhas nacional e do Mercosul. Dos três lotes, um deles liga São Paulo a Santa Catarina. Os outros dois envolvem os gaúchos.
Um deles liga o norte do Estado com o porto de Rio Grande. O outro inicia em São Paulo e se conecta com a Argentina, passando por cidades gaúchas das regiões Norte, Central e Fronteira Oeste.
O estudo da Infra apontou que esses dois lotes não são rentáveis. Mas, na opinião de Santoro, isso ocorre porque o traçado no Estado precisará ser refeito.
— Ferrovia só começa a ter rentabilidade quando está pronta. Eu tenho que recuperar uma malha inteira. Quando eu recupero a malha, ela vira rentável. Porque eu tenho carga no Rio Grande do Sul. Eu tenho demanda no Rio Grande do Sul. O problema é que eu tenho que fazer muita obra, por isso há um gap de viabilidade — explica o ministro.
Quem vencer o lote entre Santa Catarina e São Paulo precisará repassar R$ 3,44 bilhões aos demais lotes. Santoro diz não ter dúvida de que interessados se apresentarão para os três trechos. Mas, se não houver procura, o governo vai melhorar as propostas e voltar a oferecer a concessão às empresas.

