
A empresa Revee, ligada ao Grupo Reag, comprou ações da concessão do Parque Maurício Sirotsky Sobrinho. A aquisição ocorreu em março de 2025, mas não era de conhecimento público até agora.
Naquela ocasião, a empresa pagou R$ 10 milhões. Ao todo, seriam desembolsados R$ 47,8 milhões, em quatro parcelas, até março de 2026, para adquirir 70% das ações.
No entanto, somente o primeiro pagamento foi realizado. Apesar de o assunto ser tratado sob sigilo pelos envolvidos, a coluna sabe que a Revee argumenta que este valor já garantiria a ela 14,64% das ações da concessão.
Integrantes da empresa chegaram a acompanhar presencialmente a realização do Acampamento Farroupilha do ano passado. A aquisição seria comunicada a partir do pagamento da segunda parcela, de R$ 17 milhões, em setembro.
Mas, em agosto, a Reag passou a ser investigada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por ter ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), o que acabou impactando a negociação.
A coluna também apurou que a GAM3 Parks rebate dizendo que o contrato está rescindido, já que o acordo não foi cumprido, e tem negado à Revee acesso à documentação financeira da concessão. Além disso, argumenta que, como os demais pagamentos não ocorreram, o valor da primeira parcela fica como multa contratual.
A divergência levou a Revee a ingressar na Justiça por entender que não houve rescisão automática. O processo, lido pela coluna, tramita desde abril na 23ª Vara Cível de Porto Alegre. A ação requisita acesso à documentação. Quando conseguir, a Revee deverá procurar um tribunal arbitral — alternativa para acordos fora da Justiça tradicional.
Em nota, a Revee diz apenas que "essas questões estão sendo conduzidas pelas partes competentes nos fóruns adequados". Já sobre a investigação do MP-SP, afirma que integrava o Grupo Reag, mas que atua de forma independente. Também garante que não responde direta ou indiretamente a qualquer inquérito ou investigação sobre ligação com o PCC.
Procurada e também respondendo por escrito, a GAM3 Parks reconhece que houve um pré-contrato entre as partes, mas diz que ele já foi extinto. Sobre a ação na Justiça, afirma que ainda não foi notificada e lembra que o contrato determina que conflitos sejam resolvidos em câmara de arbitragem.
Histórico da Reag
A gestora de fundos Reag já chegou a gerir R$ 300 bilhões. Envolveu-se em escândalos grandes, como a Operação Carbono Oculto (de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis) e a Operação Compliance Zero (das fraudes do Banco Master). Em janeiro, teve liquidação decretada pelo Banco Central.
O grupo já apareceu outras vezes em negócios do Rio Grande do Sul. Em fevereiro de 2018, ela assumiu o contrato de gestão do Cais Mauá. Dois meses depois, a Polícia Federal estourou uma operação de desvio de dinheiro em contratos de 2015 a 2017. Pela repercussão, a Reag deixou o controle logo depois e, em 2019, o governo do Estado rescindiu o vínculo e decidiu fazer nova licitação.
Já em 2024, a Reag tentou assumir a gestão da Arena do Grêmio. O grupo chegou a ser credor da OAS ao comprar 2/3 da dívida pela construção do estádio. Os valores eram contestados na Justiça de São Paulo. A Arena chegou a ficar penhorada, com risco de ser leiloada. A Reag queria que sua empresa Revee administrasse a Arena. O Grêmio não aceitou, dando início a uma longa batalha jurídica. A solução veio com o empresário Marcelo Marques, que negociou com Revee, Banrisul e Arena Porto-Alegrense. Ele comprou a gestão do imóvel e a dívida da construção do estádio, doando ao Grêmio, ou seja, deixando de cobrá-la.



